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Cuecas boxer dobradas em preto, azul-marinho e cinza, três delas numa caixa de papelão e uma com cinta laranja, ao lado de uma etiqueta de papel pardo em branco e um rolo de barbante
Segmento · Brasil

Cueca no atacado: onde comprar, de onde vem e as regras do pacote e da troca

No cadastro de atividades (CNAE), o atacado de cueca não tem código próprio, e nenhuma fonte oficial que consultamos aponta rua ou feira da peça. Mesmo assim há mapa: os polos de roupa, as fábricas de roupa íntima registradas na Receita e a importação, em que 98% das cuecas e ceroulas de 2025 vieram do Paraguai ou da China. No fim, o que a norma diz do pacote aberto e da troca "por higiene".

Neste artigo

Onde comprar no atacado, se o pacote pode ser aberto para vender a peça avulsa e o que a lei diz sobre trocar roupa íntima: são as três perguntas sobre cueca que este guia responde com fonte primária. No caminho, mostra onde a roupa íntima é fabricada e de onde vem a cueca importada.

O pijama e os polos de moda íntima e lingerie, Nova Friburgo e Juruaia, têm guias próprios, e a cueca no mix de quem vende roupa masculina está em roupa masculina no atacado. Nenhuma fábrica, loja ou marca é citada. As fontes foram consultadas em 25 de setembro de 2026, pelo método da casa: o que nenhuma delas responde aparece como lacuna, com o que foi tentado.

A resposta curta

No cadastro de atividades (CNAE), o atacado de cueca não tem código próprio, e nenhuma fonte oficial que consultamos aponta rua ou feira da peça: ela se procura nos polos de roupa, como o Brás e a 25 de Março. Direto da fábrica, o filtro é a atividade principal 1411-8/01 no cartão CNPJ, a de toda roupa íntima: na Receita, em setembro de 2026, eram 1.230 estabelecimentos ativos em Nova Friburgo, 671 na capital paulista e 531 em Fortaleza. A Prefeitura de Juiz de Fora chama a cidade de "maior pólo produtor de cuecas do país", sem data nem método. Em 2025, 98% das cuecas e ceroulas importadas vieram do Paraguai ou da China. Não achamos lei sobre trocar cueca por higiene.

Onde comprar no atacado: nos polos de roupa, sem código de atividade próprio

Na classificação oficial de atividades do IBGE, a CNAE, o atacado de roupas íntimas é uma das 22 atividades da subclasse 4642-7/01, a do atacado de vestuário e acessórios, exceto os profissionais e de segurança. O atacadista de cueca se registra nesse código, e o cadastro não o separa: por isso este guia não publica "número de atacadistas de cueca".

O nome da loja também quase não ajuda. Nos Dados Abertos do CNPJ da Receita, base de 12 de setembro de 2026, só 98 estabelecimentos ativos no país têm "cueca" no nome fantasia: 56 são varejo, 25 são confecção ou facção de roupa íntima e 2 são atacadistas de vestuário. Nenhum dos 17 da capital paulista declara o Brás.

As fontes dos polos tratam a roupa íntima como segmento, sem separar a cueca. No Brás, o guia de lojas associadas da Alobrás, a associação de lojistas do bairro, tem 8 dos 101 registros em "Moda Íntima", nenhum deles também em "Moda Masculina". A SP Urbanismo, da Prefeitura de São Paulo, lista "roupas íntimas" entre o que se vende na Rua 25 de Março, em notícia de julho de 2024. Em Fortaleza, o levantamento da Prefeitura de fevereiro de 2026 conta a cadeia da moda por grande atividade, sem isolar a roupa íntima.

Nenhuma delas aponta rua, galeria ou feira de cueca, e o caminho é o polo de roupa: horário, acesso e regras estão nos guias do Brás, da 25 de Março, da Feira da José Avelino, do Centro Fashion e do Beco da Poeira. Pedido mínimo e venda para CPF não aparecem em nenhuma fonte consultada; são regra de cada fornecedor, e o vocabulário está em pedido mínimo, grade e sortido e fornecedor que vende para CPF.

Comprar de quem fabrica: o código 1411-8/01 e onde ele está

No cartão CNPJ, a atividade principal a procurar é a 1411-8/01, confecção de roupas íntimas; a 1411-8/02 é a facção, que costura para terceiros. Como consultar e como separar fábrica, facção e atacado está em comprar roupa direto da fábrica e como conferir o CNPJ do fornecedor.

O código mostra que a empresa faz roupa íntima, não que faz cueca: na descrição oficial da subclasse, a cueca é uma das 18 atividades, com calcinha, sutiã, pijama, camisola e cinta, e nas 1.332 subclasses da CNAE a palavra só aparece ali.

Com essa atividade como principal, a Receita tinha 11.822 estabelecimentos ativos em 12/09/2026, e outros 4.600 na facção. Os municípios com mais registros são Nova Friburgo (1.230), São Paulo (671), Fortaleza (531), Mar de Espanha (337), Santa Cruz do Capibaribe (237), Goiânia (235) e Juruaia (188); Nova Friburgo e Juruaia têm guia próprio. Parte pode ser MEI, que a lista de ocupações admite nessa atividade, e registro ativo não prova fábrica funcionando.

Na capital paulista, a fábrica registrada se espalha: dos 671, 47 declaram o bairro Brás (7%), e Brás, Pari e Canindé juntos somam 69 (10,3%); o resto se divide por mais de cem bairros. Entre os atacadistas de vestuário que também declaram confeccionar roupa íntima, o Brás pesa mais: dos 121 da capital, 39 estão lá (32%).

Em Fortaleza, o maior grupo dos 531 fica na Barra do Ceará (61, ou 11,5%), seguida de Vila Velha (27) e Quintino Cunha (26); o Centro, das feiras de rua, tem 16. O bairro é o que a empresa declarou, não prova loja aberta ao público, e a conta é de toda roupa íntima, lingerie incluída.

Onde se fabrica roupa íntima: o Ceará além da capital, Sítio Alegre e a frase de Juiz de Fora

Na fabricação, o IBGE só mede por cidade a classe 14.11-8, cujo ranking nacional está no guia do pijama no atacado; o que aquele guia não mostra é o Ceará além da capital. No Cadastro Central de Empresas de 2024, na classe de toda a roupa íntima e de dormir, não só de cueca, e entre os municípios com o dado publicado, Fortaleza (6.750 pessoas ocupadas) é a 2ª do país, Maracanaú (3.672) a 6ª, Frecheirinha (3.120) a 7ª e Maranguape (1.810) a 9ª. Frecheirinha é caso de lingerie: o PL 4.303/2025, que quer fazer dela "Capital Nacional da Moda Íntima", descreve a produção local como roupa íntima "predominantemente feminina". Em unidades locais, Fortaleza tem 444 e Maracanaú, 30: em média, 15 pessoas por unidade numa e 122 na outra (conta nossa).

Em Morrinhos (CE), 72 dos 79 registros ativos com a confecção de roupa íntima como atividade principal declaram Sítio Alegre, onde estão 3 dos 25 registros de confecção ou facção de roupa íntima do país com "cueca" no nome fantasia. A Federação das Indústrias do Ceará chamou Sítio Alegre, em junho de 2026, de "um dos principais polos de moda íntima, praia, fitness e casual do Ceará", ao noticiar um evento com "lojistas, revendedores e distribuidores de diversas regiões do Brasil". Números ditos por dirigentes, como "mais de 80 fábricas", não trazem método; o IBGE, só na classe de roupa íntima, contou em Morrinhos 43 unidades e 80 pessoas ocupadas em 2024. Acesso e endereço de compra, nenhuma fonte consultada publica.

Juiz de Fora (MG) tem a frase, não a medida. O portal Desenvolve Juiz de Fora, da Prefeitura, chama a cidade de "maior pólo produtor de cuecas do país" numa página sem data, fonte ou método, com o mesmo texto ao menos desde julho de 2023. Na classe de roupa íntima, o IBGE contou ali 70 unidades e 1.278 pessoas ocupadas em 2024, 12º município em unidades e 11º em pessoal entre os que têm o dado. Isso não confirma nem desmente a frase, que fala de outra coisa. A meia da cidade está no guia de meias.

De onde vem a cueca: a indústria declara, a importação mostra Paraguai e China

A única estatística oficial de produção que isola a cueca é nacional: na PIA-Produto de 2024, a indústria declarou 146,6 milhões de peças de "cuecas e semelhantes", 85% de malha. Não é a produção do país: pela nota técnica 01/2026 do IBGE, a amostra é de empresas com 30 ou mais pessoas ocupadas ou receita acima de um corte, que para 2024 foi de R$ 27,0 milhões, e a oficina pequena fica de fora.

Na NCM, a cueca tem código próprio, sempre junto com a ceroula e separado só por tecido e matéria, nas subposições 6107.1 (malha) e 6207.1 (tecido plano); imposto está em alíquota de importação de roupa. Pelo Comex Stat, entraram em 2025 cerca de 75,2 milhões de cuecas e ceroulas, por US$ 31,6 milhões FOB. Paraguai e China somaram 84% do valor e 98% das peças, com o Paraguai à frente no valor (44,7%) e a China nas peças (50,6%); 94,5% das peças eram de malha de fibra sintética ou artificial. Em 2026 a China passou à frente também no valor: de janeiro a agosto entraram 54,7 milhões de cuecas e ceroulas, 17,6% mais que no mesmo período de 2025, e ela ficou com 45,1% do valor, contra 39,9% do Paraguai.

O país registrado é o de origem, e bagagem fica fora da conta, segundo o manual da Secex: o "Paraguai" do Comex é importação formal, não a sacola da fronteira, cuja cota é de uso pessoal (comprar no Paraguai para revender).

Preço de atacado, nenhuma fonte oficial consultada publica. O que há perto disso não é preço: a receita média da indústria de maior porte, R$ 9,79 por cueca de malha em 2024 (conta nossa); o valor FOB da cueca chinesa, cerca de US$ 0,24 por peça de janeiro a agosto de 2026, sem frete, seguro, tributo nem margem; e o IPCA, índice de varejo em que o preço da cueca caiu 2,45% em 12 meses até agosto de 2026, com o índice geral em alta de 4,22%. Preço se confere na nota, e a conta está em margem de lucro na revenda.

Pacote aberto: a embalagem não substitui a etiqueta da cueca

A regra geral está em etiqueta de composição. A Portaria Inmetro nº 118/2021 não tem regra própria para roupa íntima: as palavras "cueca" e "roupa íntima" não aparecem no texto, e a cueca não está entre os 60 produtos que o Apêndice B tira do regulamento. Valem as cinco informações obrigatórias, e o tamanho tem de estar na própria peça, em P/M/G, numeração ou dimensões, segundo o Inmetro; a portaria não exige tabela de medidas.

No pacote, pelo item 26, imprimir as informações na embalagem não isenta os produtos de dentro, salvo a lista fechada do item 26.1, que tem meias, luvas e "produtos confeccionados sem costura", mas não cita a cueca. O regulamento não define "sem costura", e o Inmetro não publica se a cueca vendida com esse nome se enquadra; este guia não afirma nem que sim nem que não, e a peça com etiqueta própria atende às duas leituras.

O item 16 abre outra porta: dois ou mais produtos com as mesmas informações, num conjunto que seja unidade de venda e que "somente possam ser vendidos como tal", podem trazer as informações em uma das partes. O Inmetro não publica se o pacote de cuecas iguais é esse caso. O que o texto permite afirmar é o avesso: tirada do pacote e vendida avulsa, a cueca deixa de ser vendida como conjunto, e cada unidade precisa das informações. Por isso vale conferir, no pedido, se cada peça vem etiquetada. O kit misto de cueca e meia tem regra fiscal própria, no guia de meias.

Troca de cueca "por higiene": o que a lei diz e o que não diz

As três situações em que a loja é obrigada a trocar estão em loja é obrigada a trocar roupa?; aqui fica a pergunta da higiene. No Código de Defesa do Consumidor, "roupa", "vestuário" e "íntima" não aparecem, e a única menção a higiene, no art. 8º, § 2º, trata de equipamentos e utensílios postos à disposição do consumidor; o decreto do comércio eletrônico, nº 7.962/2013, também não fala de roupa.

Com defeito, a cueca segue a regra de qualquer produto: a garantia legal independe de termo expresso e não pode ser afastada por contrato (arts. 24 e 51, I), e cartaz de "não trocamos peça íntima" não muda isso; os prazos estão em prazo para trocar produto com defeito. Sem defeito, na loja física, trocar é liberalidade: o Procon-ES orientou, em 2018, que a loja pode deixar de trocar itens "como peças íntimas", desde que avise por cartaz; é orientação de um Procon, não lei. Na venda fora da loja, pela internet ou pelo WhatsApp, vale o arrependimento de sete dias do art. 49, cujo texto não abre exceção para roupa íntima.

Na lei federal, a exceção de higiene só existe em projeto. O PL 6.485/2016, que tramita apensado a outro projeto e não virou lei, deixaria o fornecedor recusar a desistência de produto "de higiene ou limpeza", entre outros; o PL 6.636/2013, que tiraria produtos "de uso pessoal" de uma nova regra de desistência, foi arquivado em 2015. Nenhum dos dois cita roupa íntima. E a resolução da Anvisa que aparece em redes sociais como base para recusar a troca, a RDC nº 275/2002, trata de fábricas de alimentos e não fala de roupa íntima.

A busca cobriu a lei federal, os projetos da Câmara e a legislação de Minas Gerais, onde "cuecas" e "peças íntimas" só aparecem em decretos de ICMS. Leis dos demais estados e dos municípios não foram lidas uma a uma: confira as do seu.

Fontes oficiais e primárias

lei, decreto, portaria, órgão público e estatística oficial

Fontes do próprio empreendimento

site, FAQ e material de quem administra o lugar — é declaração do interessado

Boxer, slip, samba-canção e sunga: nomes de mercado, não de norma

Nenhuma fonte oficial consultada define os modelos. A NCM separa a cueca só por tecido e matéria, a PIA-Produto só em "de malha" e "exceto de malha", a CNAE tem uma atividade só e o IPCA, um subitem só. Na base de atos da Receita, a busca por "boxer" não devolve solução de consulta, e a busca por "cueca" ou "roupa íntima" no catálogo da ABNT não devolve norma.

Slip tem outra moldura nas tabelas oficiais: na NCM, "sungas (slips), de banho" são roupa de banho, das posições 61.12 e 62.11. Na CNAE, sunga, maiô e biquíni também ficam fora da roupa íntima, na subclasse 1412-6/01, e cueca e sunga caem em códigos diferentes mesmo quando o corte se parece. Sunga é assunto de moda praia no atacado.

Sem definição oficial, grade e corte variam de fábrica para fábrica: peça a tabela de medidas do fornecedor e veja como lê-la em tabela de medidas ABNT. A cueca infantil segue roupa infantil no atacado, e a estampa de personagem, fantasias no atacado.

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Transparência: alguns links deste site podem ser de parceria — comprando por eles, o site pode receber comissão, sem custo extra pra você. A apuração não muda: ficha com data e fonte, com ou sem parceria.

Perguntas frequentes

Nos polos de roupa, como o Brás e a 25 de Março, em São Paulo, e as feiras do Centro de Fortaleza, mas sem endereço próprio da peça: nenhuma fonte oficial ou de entidade que consultamos aponta rua, galeria ou feira de cueca, e o atacadista de cueca se registra no mesmo código de atividade do atacado de vestuário em geral. Para ir à fábrica, confira no cartão CNPJ a atividade principal 1411-8/01, confecção de roupas íntimas, que também inclui calcinha, sutiã e pijama. Procurar a palavra "cueca" no nome da loja quase não rende.

Nenhuma medida oficial responde. A frase "maior pólo produtor de cuecas do país" é da Prefeitura de Juiz de Fora, numa página sem data, fonte ou método, no ar ao menos desde julho de 2023. Na produção, o IBGE só mede por cidade a classe de toda roupa íntima e de dormir, na qual Juiz de Fora tinha 70 unidades locais e 1.278 pessoas ocupadas em 2024, 12º município em unidades. A estatística de produção que isola a cueca, a PIA-Produto, sai só para o Brasil inteiro.

Só se cada cueca tiver, na própria peça, as informações obrigatórias. Pela Portaria Inmetro nº 118/2021, imprimir os dados na embalagem não isenta os produtos de dentro, e a cueca não está pelo nome na lista de exceções do item 26.1. O item 16 permite informar em uma das partes só quando os produtos "somente possam ser vendidos como tal", e a cueca tirada do pacote deixa de ser vendida assim. Por isso vale conferir, no pedido, se cada unidade vem etiquetada.

Não encontramos. O Código de Defesa do Consumidor não fala de roupa íntima; na lei federal, a exceção para produto "de higiene ou limpeza" no arrependimento só existe em projeto não aprovado; e a resolução da Anvisa citada nas redes, a RDC 275/2002, trata de fábrica de alimentos. Vale a regra geral: com defeito, a garantia não pode ser afastada; sem defeito, a loja física pode não trocar, e o Procon-ES orientou avisar por cartaz; na venda a distância, o art. 49 não abre exceção. Leis estaduais e municipais não foram varridas uma a uma.

Não nas fontes oficiais que consultamos. A NCM separa a cueca só por tecido e matéria, a pesquisa industrial do IBGE só em "de malha" e "exceto de malha", a CNAE tem uma atividade só e o IPCA, um subitem só. Na NCM, "slip" aparece em "sungas (slips), de banho", que são roupa de banho, e o catálogo da ABNT não devolve norma para cueca. São nomes de mercado: corte e grade variam de fábrica para fábrica, e vale pedir a tabela de medidas do fornecedor.

Jeff Bruno

Jeff Bruno

Editor responsável do Atacado Modas. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, passou anos comprando no Paraguai para revender e hoje lida com importação da China na operação onde trabalha. Aqui escreve o que dá para provar: toda ficha sai com data e fonte. Curitiba/PR.

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