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Pilha de peças dobradas em bege, caramelo e azul-marinho sobre fundo claro, com etiqueta de papel kraft e fita métrica ao lado
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Pijama no atacado: onde a peça é feita e o que a etiqueta exige

Pijama divide classe estatística com calcinha, cueca e sutiã — por isso não existe lista confiável de "cidades do pijama". Este guia mostra o número que existe de verdade, o que muda de mês para mês e o que a Portaria 118 exige da peça, inclusive quando ela é vendida em kit.

Neste artigo

Pijama tem endereço explícito na classificação oficial brasileira, e o endereço é compartilhado: a mesma classe do IBGE que conta quem faz pijama conta quem faz calcinha, cueca e sutiã. Isso não é curiosidade de estatístico — é o motivo de nunca aparecer uma lista confiável de "cidades do pijama", e de todo número que circula sobre a peça precisar de uma pergunta antes de ser usado. Este guia mostra onde ela é fabricada com o dado que existe de verdade, o que muda de mês para mês, e o que a norma de etiquetagem cobra dela.

A resposta curta

O que existe é a classe 14.11-8, "confecção de roupas íntimas e roupas de dormir": 7.072 estabelecimentos e 82.442 pessoas ocupadas no Brasil em 2024, concentrados em Nova Friburgo (RJ), Fortaleza (CE), São Paulo, Mar de Espanha (MG), Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Juruaia (MG) — nessa ordem. Em Santa Catarina, o município com mais estabelecimentos da classe não é Brusque: é Ilhota, 87 contra 49. E a única cidade do país com título de pijama por lei é Borda da Mata (MG) — título estadual, de 2019, e não nacional.

O que a estatística oficial não separa

A nota explicativa da classe 14.11-8 do IBGE é literal: a classe compreende "a confecção de roupas íntimas e roupas de dormir para uso masculino, feminino e infantil confeccionadas com tecidos planos ou tecidos de malha (pijamas, sutiãs, calcinhas, cuecas, etc.)". Um balde só. E não há subclasse que resolva: a 1411-8/01 é confecção e a 1411-8/02 é facção, nenhuma das duas separa produto.

Na camada seguinte a fusão muda de formato, mas continua. O PRODLIST, que é a lista de produtos da pesquisa industrial, chama a categoria de "roupas de dormir ou de banho (camisolas, pijamas, roupões e semelhantes)" — pijama, camisola e roupão contados juntos. Só a NCM, a nomenclatura do comércio exterior, isola pijama, e ainda assim em par com o camisolão.

O efeito prático é direto para quem compra. Sempre que alguém publicar "a cidade X tem N fábricas de pijama", esse N ou saiu de uma associação, ou é de roupa íntima inteira. Vale fazer essa pergunta ao número antes de usá-lo — inclusive aos que estão aqui. É a mesma disciplina que separa quem fabrica de quem revende no guia de comprar direto da fábrica. Consulta às fontes oficiais deste guia em 27 de agosto de 2026.

Pijama de malha não é malharia

Esta é a confusão que mais atrapalha na hora de escolher destino, e a própria classificação a resolve com texto expresso. São três classes que se excluem:

ClasseO que ela fazO que ela não é
13.30-8Fabrica o tecido de malha (divisão têxtil)Não faz roupa
14.22-3Artefatos de malharia e tricotagem — pulôver, jaqueta, luvaNão abrange peça feita a partir de tecido
14.11-8Confecciona roupa íntima e de dormir a partir de tecido plano ou de malhaNão é malharia; a própria nota exclui a 14.22-3

Ou seja: pijama de moletom ou de malha é confecção, não malharia. A lista de descritores da 14.22-3 tem só dois itens, e nenhum é pijama. É por isso que "cidade de malha" e "cidade de pijama" não são a mesma estatística — mesmo quando são a mesma cidade, como acontece no circuito das malhas do sul de Minas, em Monte Sião e em Jacutinga. Vale também para Brusque, cujo número famoso é o da malha, e para o retrato estadual de Santa Catarina.

Onde se fabrica: o mapa que o IBGE publica

O Cadastro Central de Empresas conta estabelecimentos e pessoal ocupado por município. Em 2024, a classe 14.11-8 tinha 7.072 unidades locais e 82.442 pessoas ocupadas no país — e o número de estabelecimentos vem caindo dois anos seguidos (7.429 em 2022, 7.327 em 2023). É cerca de 8,9% dos 79.232 estabelecimentos do grupo de confecção de vestuário.

Por estado, os dois recortes contam histórias diferentes. Em pessoal ocupado lidera o Ceará (19.652), seguido de São Paulo (16.448), Rio de Janeiro (14.883), Minas (10.011) e Santa Catarina (4.632). Em estabelecimentos a ordem muda: Rio de Janeiro (1.265), Minas (1.171), São Paulo (1.044), Ceará (902) e Santa Catarina (574).

MunicípioEstabelecimentosPessoas ocupadasMédia por estabelecimento
Nova Friburgo (RJ)8347.4208,9
Fortaleza (CE)4446.75015,2
São Paulo (SP)4393.8228,7
Mar de Espanha (MG)2571.9597,6
Santa Cruz do Capibaribe (PE)1681.4468,6
Juruaia (MG)1511.1917,9
Ilhota (SC)874855,6
Brusque (SC)4959712,2
Araraquara (SP)115.179470,8

É uma seleção, não um ranking contínuo, e as médias são cálculo nosso a partir de duas variáveis publicadas. A última linha é a que ensina. Araraquara é o terceiro município do país em emprego na classe e tem onze estabelecimentos: é parque industrial grande, não praça de compra. Muitas unidades pequenas indicam lugar onde se compra; muita gente em poucas unidades indica fábrica que não atende sacoleira. O primeiro colocado, Nova Friburgo, é justamente o caso de rede pulverizada, e o site já o descreve em detalhe no guia de moda íntima de Nova Friburgo — os números daqui confirmam aquele guia.

Um esclarecimento de coerência: o nosso guia de Barro Preto, em BH, publica 269 confecções em Mar de Espanha, e aqui aparecem 257. Os dois estão certos e medem recortes diferentes — 269 é o grupo de confecção inteiro, 257 é só a classe de roupa íntima e de dormir. 95% da confecção daquele município está nesta classe, a especialização mais extrema da tabela. Sobre Juruaia, o site tem guia próprio.

Santa Catarina: a cidade com mais confecções não é Brusque

Dentro de Santa Catarina, o primeiro lugar em estabelecimentos da classe é Ilhota, com 87 contra 49 de Brusque — e com estabelecimento bem menor: 5,6 pessoas por unidade contra 12,2. Depois vêm Tubarão (29), Blumenau (27), Gaspar (27) e Rio do Sul (25). Nove municípios do Vale do Itajaí concentram 248 das 574 unidades locais do estado (43%) e 2.329 das 4.632 pessoas ocupadas (50%), pela nossa soma dos municípios publicados. Em unidades a soma dos municípios publicados fecha nos mesmos 574 do estado; em pessoal ocupado faltam 1.000 pessoas, em municípios que o IBGE não abre — então esses 50% são piso, não teto.

Ilhota tem título estadual, e ele tem número: a Lei catarinense nº 16.722, de 2015, que consolida as denominações dos municípios, traz no Anexo Único a linha "Ilhota — Capital Catarinense da Confecção de Moda Íntima e Moda Praia", remetendo à Lei nº 12.473, de 2002, que a própria ALESC marca como revogada. Repare no nome completo: o título é de confecção de moda íntima e moda praia — a versão curta que circula, sem "da Confecção de", perde justamente o que ele diz.

E o título não é de pijama. Buscando na legislação catarinense inteira pela mesma via, a palavra "pijama" devolve zero resultados, com o método validado por termos de controle no mesmo passe. Nenhum município de Santa Catarina tem título estadual de pijama. O que existe no estado, e o que o dado sustenta, é concentração de confecção de roupa íntima e de dormir — não um "polo de pijama", que é frase sem lastro em fonte nenhuma.

A única cidade com título de pijama — e o que o título é

Esse título é de Borda da Mata (MG), pela Lei mineira nº 23.514, de 20 de dezembro de 2019, que tem dois artigos: confere o título e entra em vigor. É estadual. O nacional não existe: o PL 5.301/2023 passou no Senado em março de 2024, teve parecer aprovado numa comissão da Câmara em 14 de maio de 2024 e está na Comissão de Constituição e Justiça desde 20 de maio de 2024 aguardando relator. No índice de leis ordinárias do Planalto de 2024, 2025 e 2026, "pijama" não aparece.

O detalhe mais interessante é que a lei nasceu pedindo outra coisa. O projeto queria declarar o modo de fazer pijama da cidade patrimônio cultural do Estado, e um substitutivo trocou o objeto já no primeiro turno. O parecer publicado no Diário do Legislativo de 20/07/2019 explica por quê: registro e tombamento "são atos de competência do Poder Executivo", e "a produção de pijamas no município de Borda da Mata tem viés mais econômico e menos cultural". A declaração de patrimônio cultural nunca aconteceu — quem repete a manchete "agora é oficial" sem dizer o que ficou oficial erra duas vezes.

No cadastro do IBGE, a cidade do pijama é estatisticamente uma cidade de malharia: 6 estabelecimentos na classe de roupa íntima e de dormir contra 24 em malharia e tricotagem, e 59 na divisão de confecção inteira. A prefeitura falava, em dezembro de 2019, em "quase 200 empresas do setor têxtil" e "cerca de 80 mil peças" por ano. Os dois medem coisas diferentes — o IBGE conta estabelecimento industrial formal classificado por uma atividade principal — e não se somam nem se dividem um pelo outro.

Quanto se produz, quanto entra e em que mês

A pesquisa industrial de produto do IBGE tem, sim, um número — mas do produto fundido. Em 2024, os quatro itens de "roupas de dormir ou de banho" somaram 26.762 mil peças e R$ 909.331 mil de valor da produção. Feminino é 88,0% das peças e malha, 78,3%, pela nossa conta. E o universo importa: a pesquisa cobre as empresas do estrato certo da pesquisa industrial anual — 30 ou mais pessoas ocupadas e/ou receita bruta industrial acima de um valor de corte. Não é a produção nacional.

Dividir valor por quantidade dá R$ 33,98 por peça na média de 2024. É preço de fábrica declarado por empresa grande, não preço de atacado — e preço de atacado, grade e pedido mínimo por categoria não têm fonte oficial nenhuma, assunto que o site trata em pedido mínimo, grade e sortido e em controle de estoque por grade.

Do lado importado, o Comex Stat mostra a peça isolada, porque a NCM separa. Entraram 6,32 milhões de peças em 2024 e 9,06 milhões em 2025 pelos oito códigos de pijama e camisola — no mesmo ano de 2024, portanto, a importação equivale a cerca de um quarto das 26,8 milhões de peças declaradas à pesquisa do IBGE, com as duas ressalvas de universo coladas. Em 2025, a China respondeu por 81,3% do valor e 88,8% do peso. A classificação por código está no guia de alíquota de importação por NCM.

E há sazonalidade medida, com um recorte que precisa ser dito: fevereiro, março e abril somaram 53,7% do peso importado em 2024 e 50,2% em 2025; junho, julho e agosto, 10,4% e 11,7%. Dois anos independentes, mesmo desenho. Isso é entrada de mercadoria importada, não venda — a carga chega meses antes da estação. Até junho de 2026 a série soma 2.986 toneladas, dado parcial e revisável pelo próprio ministério. E, pela Nota 6 do Capítulo 61 da TIPI, peça para criança de até 86 cm de estatura sai desses códigos e vai para as posições de bebê: a série não cobre pijama de bebê.

A lacuna, declarada

Não existe série oficial mensal de produção nem de venda de pijama no Brasil. A pesquisa de produto é anual e só nacional; a mensal é por atividade, não por produto; e a pesquisa de orçamentos familiares não desce de "vestuário". O que existe em série mensal por produto é comércio exterior — importação e também exportação, que é produção brasileira, mas só a parte que sai do país. É a mesma parede que o guia de Brusque já descreve para a malha.

O que a norma exige da etiqueta, e o caso do kit

A regra da etiqueta é a Portaria Inmetro nº 118, de 11 de março de 2021, em vigor desde 1º de abril de 2021, e o site já detalha as cinco informações obrigatórias em etiqueta de composição. O ponto específico do pijama é outro: o kit embalado.

O item 26 do Anexo diz que imprimir as informações na embalagem não isenta os produtos de dentro, "com as seguintes exceções" — e as exceções são duas. O item 26.1 traz lista fechada: fralda, lenço de bolso, guardanapo, babador, meia, luva, confecção em máquina RASCHEL, colcha tipo crochê, mosquiteiro e produto confeccionado sem costura. O item 26.2 cuida de telas aglomeradas de véus de carda. Pijama não está em nenhuma das duas, e tem costura. Logo o kit ou a caixa de pijama continua sob a regra geral: a peça precisa das informações. A norma não proíbe embalar — ela apenas não dá a dispensa. E o item 27 acrescenta que, quando a embalagem é hermeticamente fechada e a etiqueta não pode ser vista de fora, composição, país de origem e tamanho têm de aparecer na embalagem.

No pijama infantil a resposta normativa é curta e vale escrever: não há regulamento compulsório de vestuário infantil no Brasil. As palavras "infantil", "criança", "bebê" e "inflam" não aparecem uma vez sequer no texto da portaria, e a lista oficial de programas compulsórios do Inmetro tem entrada para berço, carrinho, cadeira de alimentação e bicicleta infantil, e nenhuma para roupa de criança. O que alcança a peça é a mesma etiquetagem do adulto, o dever geral do art. 4º de não oferecer risco e a ABNT NBR 16365, voluntária, tratada no guia de roupa infantil no atacado. Tamanho, por sua vez, segue a lógica da tabela de medidas da ABNT: adoção voluntária, então o M muda de fábrica para fábrica. E, para decidir o destino da viagem por mercadoria e não por fama, o comparativo é qual polo de atacado escolher.

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Transparência: alguns links deste site podem ser de parceria — comprando por eles, o site pode receber comissão, sem custo extra pra você. A apuração não muda: ficha com data e fonte, com ou sem parceria.

Perguntas frequentes

Não existe resposta em número de pijama, porque nenhuma estatística oficial separa a peça. Na classificação do IBGE ela mora na classe 14.11-8, que junta roupa íntima e roupa de dormir no mesmo balde. Nessa classe, o Cadastro Central de Empresas de 2024 registra 7.072 estabelecimentos e 82.442 pessoas ocupadas no país, e os municípios com mais estabelecimentos são Nova Friburgo (RJ) com 834, Fortaleza (CE) com 444, São Paulo com 439, Mar de Espanha (MG) com 257 e Santa Cruz do Capibaribe (PE) com 168; Juruaia (MG) é a sexta, com 151, empatada com Goiânia. Em Santa Catarina o primeiro é Ilhota (87), à frente de Brusque (49). SIDRA, 27/08/2026.

Borda da Mata, em Minas Gerais, e o título é estadual — não nacional. Ele vem da Lei mineira nº 23.514, de 20 de dezembro de 2019, que tem dois artigos e nada mais. O projeto de título nacional é o PL 5.301/2023: passou no Senado em março de 2024, teve parecer aprovado numa comissão da Câmara em maio de 2024 e está na Comissão de Constituição e Justiça desde 20 de maio de 2024 aguardando relator. A palavra "pijama" não aparece no índice de leis ordinárias do Planalto de 2024, 2025 nem 2026. Título honorífico não é certificação de qualidade nem garantia de preço.

Não. O item 26 do Anexo da Portaria Inmetro nº 118, de 11 de março de 2021, diz que imprimir as informações na embalagem não isenta os produtos de dentro, e abre exceção em dois itens: o 26.1, com lista fechada (fralda, lenço de bolso, guardanapo, babador, meia, luva, confecção em máquina RASCHEL, colcha tipo crochê, mosquiteiro e produto confeccionado sem costura), e o 26.2, para telas aglomeradas de véus de carda. Pijama não está em nenhuma das duas, e tem costura. A norma não proíbe embalar: ela apenas não dá a dispensa. E o item 27 acrescenta que, em embalagem hermeticamente fechada, composição, país de origem e tamanho têm de aparecer na própria embalagem.

Não há regulamento técnico compulsório de vestuário infantil. Varremos o texto integral da Portaria Inmetro 118/2021 e as palavras "infantil", "criança", "bebê" e "inflam" não aparecem nenhuma vez; na lista oficial de programas compulsórios do Inmetro há entradas para berço, carrinho, cadeira de alimentação, dispositivo de retenção e bicicleta infantil, e nenhuma para roupa de criança. O que alcança o pijama de criança é a mesma etiquetagem do adulto, o dever geral do art. 4º de não oferecer risco e a ABNT NBR 16365, que é norma voluntária, não regulamento.

Fevereiro, março e abril. Nos oito códigos de NCM de pijama e camisola, o Comex Stat mostra que esses três meses somaram 53,7% do peso importado em 2024 e 50,2% em 2025, enquanto junho, julho e agosto ficaram com 10,4% e 11,7%. É entrada de mercadoria importada, não venda no varejo nem produção nacional — a carga chega meses antes da estação. Não existe série mensal oficial de quanto pijama o Brasil produz nem de quanto vende: o IBGE mede produto por ano e atividade por mês, nunca produto por mês.

Jeff Bruno

Jeff Bruno

Editor responsável do Atacado Modas. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, passou anos comprando no Paraguai para revender e hoje lida com importação da China na operação onde trabalha. Aqui escreve o que dá para provar: toda ficha sai com data e fonte. Curitiba/PR.

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