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Pés com meias grossas listradas em cinza, preto e bege sobre piso de madeira iluminado pelo sol
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Meias no atacado: onde comprar e em que cidades a meia é fabricada

Pelo IBGE, Juiz de Fora (MG) tinha em 2024 mais unidades de fabricação de meias que qualquer outra cidade, e Cerquilho (SP), mais pessoas ocupadas no ramo. No atacado, a meia divide código com toda roupa, e a fábrica paulistana quase não está no Brás. Aqui estão os dois caminhos de compra, a origem da meia importada e o que as fontes oficiais consultadas não publicam, a começar pelo preço.

Neste artigo

Na capital paulista, só 3 dos 57 registros ativos com a fabricação de meias como atividade principal declaram endereço no Brás: a fábrica de meia e o polo de roupa nem sempre estão no mesmo lugar.

A ordem é a de quem compra: as cidades e o caminho até a fábrica, o Brás e a 25 de Março, a meia importada e, por fim, etiqueta e preço. Nenhuma fábrica, loja ou marca é citada.

As fontes foram lidas em 25 de setembro de 2026, pelo método da casa; onde uma delas não responde, o texto diz qual e o que foi tentado.

A resposta curta

A meia brasileira é fabricada sobretudo em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, que somam quase nove em cada dez das 220 unidades locais contadas pelo IBGE em 2024. Duas cidades aparecem na frente, cada uma numa régua: Juiz de Fora (MG), com 71 unidades, e Cerquilho (SP), com só 8, mas 1.991 das 6.226 pessoas ocupadas no ramo. Para ir direto à fábrica, confira no cartão CNPJ a atividade principal 1421-5/00. No atacado, a meia divide código com toda roupa, e nenhuma fonte oficial consultada aponta rua de meia no Brás ou na 25 de Março. Na meia importada em 2025, a China lidera a sintética, e o Paraguai, a de algodão. Preço de atacado, nenhuma fonte oficial consultada publica.

Onde a meia é feita: Juiz de Fora nas unidades, Cerquilho nas pessoas

Na classificação oficial de atividades do IBGE, a fabricação de meias é a subclasse 1421-5/00: meia de adulto e de criança, meia esportiva e meia-calça, "inclusive elásticas". A malharia, subclasse vizinha, exclui a meia pelo nome.

No Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), consultado em 25/09/2026, o Brasil tinha 220 unidades locais de fabricação de meias em 2024, com 6.226 pessoas ocupadas. São Paulo (91), Minas Gerais (75) e Santa Catarina (29) reúnem quase nove em cada dez, e 16 estados não têm nenhuma. Por cidade, a resposta depende da régua, e o IBGE publica as duas:

MunicípioUnidades locais (2024)Pessoas ocupadas (2024)
Juiz de Fora (MG)71734
São Paulo (SP)44508
Blumenau (SC)91.045
Cerquilho (SP)81.991
Joinville (SC)772
Jundiaí (SP)3283
Birigui (SP)3282
Brasil2206.226

Em unidades, Juiz de Fora vem na frente, com 71 das 220, um terço do país e quase todas as 75 de Minas; as seis cidades com mais unidades, que incluem Brusque (SC), também com 7 e fora da tabela, reúnem dois terços do total. Em pessoas ocupadas, a frente é de Cerquilho: 1.991, ou 32% do país, em só 8 unidades. Pelo próprio IBGE, a fabricação de meias reúne 11,08% do pessoal ocupado em empresas e órgãos formais do município.

Unidade local é o endereço onde uma empresa formal atua, não o tamanho do galpão: Juiz de Fora tem muitas unidades pequenas, em média cerca de dez pessoas por unidade, e Cerquilho, poucas e grandes. Os demais percentuais são conta nossa sobre os números municipais do IBGE; 2024 é o último ano da tabela. Como as réguas apontam cidades diferentes, este guia não elege "capital da meia".

Juiz de Fora: sindicato só de meia, fábricas espalhadas pela cidade

Numa caixa do portal Desenvolve Juiz de Fora, consultado em 25/09/2026, a Prefeitura chama a cidade de "segundo maior polo produtor de meias do Brasil" e de "maior pólo produtor de cuecas do país", peça que tem guia próprio. A caixa não traz data, fonte nem régua; pelo IBGE, a cidade é a primeira em unidades, não em pessoas ocupadas. E as "423 empresas" que ela atribui ao "setor", sob o logotipo do APL do vestuário, não separam a meia.

A meia tem entidade própria na cidade, o Sindicato das Indústrias de Meias de Juiz de Fora (Sindimeias-JF), filiado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG); foi o presidente dele quem representou o vestuário numa solenidade na Prefeitura, em dezembro de 2025, que celebrou o avanço do APL Farol da Mata, o arranjo produtivo do vestuário da região. Segundo dirigentes ouvidos pela FIEMG em janeiro de 2024, o sindicato têxtil local se dividiu no fim dos anos 1970 em têxtil, meias e malharias, e hoje "várias empresas" do vestuário "trabalham a confecção, mas também produzem meias".

No cadastro de CNPJ da Receita, base de 12 de setembro de 2026, Juiz de Fora tem 100 dos 363 registros ativos do país com a fabricação de meias como atividade principal, espalhados por dezenas de bairros, sem rua concentrada: o que mais tem, o Progresso, soma 6. Dez dos cem declaram também o atacado de vestuário, e 18, o varejo.

Aqui fica a lacuna que mais pesa: nenhuma das fontes oficiais consultadas publica onde comprar meia no atacado em Juiz de Fora. Nas páginas lidas, nem a Prefeitura nem a FIEMG descrevem rua, feira ou galeria de meia, e pedido mínimo e venda para CPF não aparecem em nenhuma delas. O caminho que o dado oficial permite traçar é o da fábrica, conferida pelo código.

Cerquilho, Santa Catarina e o Rio de Janeiro no mapa da meia

Cerquilho (SP) é o caso inverso: poucas unidades, muita gente. O diagnóstico da revisão do Plano Diretor, de 2019, publicado pela Prefeitura, registra uma indústria de meias fundada no município em 1925 e diz que a cidade é "conhecida nacionalmente por ser um polo de confecção infantil", assunto de roupa infantil no atacado.

Santa Catarina tem Blumenau, Brusque e Joinville entre as seis cidades com mais unidades; no cadastro da Receita, são 14 registros em Blumenau, 7 em Brusque e 6 em Joinville. Onde o estado produz e onde vende está em atacado de roupas em Santa Catarina.

No Rio de Janeiro, o dado oficial não mostra polo de fábrica de meia. O IBGE conta 5 unidades locais no estado em 2024, 3 na capital e 2 em Duque de Caxias, com o pessoal ocupado omitido por sigilo; a Receita, 9 registros ativos com a atividade como principal: 3 em Duque de Caxias, 3 na capital e 1 em cada um de Magé, Barra Mansa e Três Rios. Nova Friburgo teve 1 unidade em 2022 e nenhuma em 2023 e 2024; lá, 17 registros citam a meia só como atividade secundária, o que não os torna fábricas de meia, como mostra a seção seguinte.

Para quem está no Rio, a moda íntima fluminense tem polo em Nova Friburgo, e o comércio popular da capital é o SAARA. Nenhum dos dois é descrito como praça de meia nas fontes oficiais consultadas.

Direto da fábrica: o que o código 1421-5/00 mostra no CNPJ

Para comprar de quem faz, o filtro é a atividade principal no cartão CNPJ: fábrica de meia é a 1421-5/00. A consulta e a diferença entre confecção, facção e atacado estão em comprar roupa direto da fábrica e como conferir o CNPJ do fornecedor.

Nos Dados Abertos do CNPJ da Receita, base de 12 de setembro de 2026, são 363 estabelecimentos ativos com essa atividade como principal. Parte declara também vender: 50 têm o atacado de vestuário entre as atividades, e 97, o varejo.

Três cuidados antes de usar esses números:

  • Não são continuação do IBGE. O CEMPRE conta 220 unidades locais em 2024; a Receita, 363 registros ativos em 2026, quatro em cada dez (154) abertos de 2020 para cá, e registro ativo não prova fábrica funcionando. São réguas diferentes, e a diferença não é crescimento.
  • Parte pode ser MEI. A lista oficial de ocupações do MEI traz o "fabricante de meias independente", na mesma subclasse. Este recorte não separa quantos são MEI, e o cadastro não diz o tamanho da fábrica; as regras estão em MEI para revender roupa.
  • Meia como atividade secundária não é fábrica de meia. Dos 2.565 registros ativos nessa situação, 1.005 têm como principal a confecção ou a malharia de roupa e 950 são varejo, 685 deles lojas de roupa. Em Mar de Espanha (MG), 95 registros citam a meia como secundária e nenhum como principal, 92 têm a confecção de roupa íntima entre as atividades, e o IBGE não conta ali nenhuma unidade de fabricação de meias.

Pedido mínimo, grade e venda para CPF não aparecem em nenhuma fonte oficial consultada. O vocabulário está em pedido mínimo, grade e sortido, e o que se sabe de CPF, em fornecedor que vende para CPF.

Brás e 25 de Março: o polo vende roupa, e a fábrica de meia quase não está lá

No atacado, a meia não tem código próprio: pela classificação oficial, o atacadista de meia fica na subclasse 4642-7/01, a mesma de vestido, calça, camisa, roupa íntima, cinto e guarda-chuva, e a loja, na 4781-4/00, a de toda loja de roupa. Por isso o cadastro não separa quem vende meia no atacado, e um "número de atacadistas de meia no Brás" seria, na verdade, de atacadistas de vestuário.

O que o cadastro separa é a fábrica, e ela quase não está no polo. Na capital paulista, os 57 registros ativos com a fabricação de meias como atividade principal se espalham por 46 bairros; nenhum passa de 4 (Ipiranga e Bom Retiro), e o Brás tem 3. Somando principal e secundária, 297 registros na capital, o Brás chega a 15. O Brás é polo de roupa; a fábrica de meia paulistana fica, quase toda, fora dele.

As páginas oficiais lidas que descrevem os polos também não citam a meia pelo nome. A SP Urbanismo lista o que se vende na 25 de Março (brinquedos, fantasias, bijuterias, armarinhos, "roupas íntimas") e descreve a Rua Oriente, no Brás, pelas "lojas de roupas para os públicos infantil, masculino e feminino"; a ficha oficial de turismo da 25 de Março fala em tecidos, brinquedos, artigos esportivos, papelaria, bolsas e bijuterias. Isso não prova que falte meia nas lojas; prova que nenhuma página oficial lida em 25/09/2026 aponta rua, galeria ou número de lojas de meia nos dois polos.

Horário, acesso e regras de cada polo estão em atacado de roupas no Brás, Rua 25 de Março e Bom Retiro, onde ficam 4 dos registros de fábrica de meia da capital.

A meia importada: China na sintética, Paraguai no algodão

Na importação, a meia é a posição 61.15 da NCM vigente, que inclui a meia-calça e a de compressão para varizes, esta à parte, em 6115.10 (licença de importação trata dela). A meia comum se divide por matéria: 6115.95.00 é a de algodão e 6115.96.00, a sintética. Imposto está em alíquota de importação de roupa.

Pelo Comex Stat, consultado em 25/09/2026, o Brasil importou US$ 89,5 milhões em meias em 2025, de 50 países: 53,1% do valor veio da China e 34,8%, do Paraguai. Por matéria, a ordem se inverte na de algodão:

Meia importada em 2025Parte do valorPares declaradosChina (% do valor)Paraguai (% do valor)
Sintética (6115.96.00)58,7%cerca de 400 milhões62,7%31,5%
Algodão (6115.95.00)28,4%62,8 milhões25,8%57,6%

Em 2026 a entrada acelerou, e sete em cada dez dólares a mais vieram da China: de janeiro a agosto de 2026 foram US$ 76,8 milhões, 27% a mais que os US$ 60,4 milhões do mesmo período de 2025. A China passou de US$ 32,7 milhões para US$ 44,2 milhões; o Paraguai ficou perto de US$ 21 milhões e caiu de 35,5% para 27,4% do valor. Nenhuma fonte apurada explica a causa.

O dado é valor FOB declarado, sem frete, seguro nem tributo, e registra o país de origem na importação formal, não o que vem na bagagem da fronteira. O Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai define a maquila como produção por conta e ordem de empresa do exterior, toda exportada, e divulgou em 2023 uma fábrica nesse regime, no Alto Paraná, que faz meias só para exportar: um exemplo, não a origem comprovada, porque o Comex Stat não informa o regime do exportador. A cota de viagem é de uso pessoal; revenda está em comprar no Paraguai para revender.

A tabela é da meia importada: a indústria nacional de maior porte declarou 125,9 milhões de pares de meia de algodão ou outras fibras naturais em 2024, pela PIA-Produto do IBGE, número que não se soma nem se divide com o da importação. E para quem importa kit misto, a Receita já respondeu, na Solução de Consulta Cosit nº 98.075, de 2021, que doze cuecas e doze meias na mesma embalagem plástica não formam "sortido acondicionado para venda a retalho": cada peça segue a própria classificação. É regra fiscal, não de etiqueta.

Fontes oficiais e primárias

lei, decreto, portaria, órgão público e estatística oficial

Fontes do próprio empreendimento

site, FAQ e material de quem administra o lugar — é declaração do interessado

Etiqueta, tamanho e preço: o que é só da meia e o que as fontes consultadas não dizem

A regra geral da etiqueta, inclusive o kit de meia embalado, está em etiqueta de composição. Três pontos são da meia. Ela não está entre os 60 produtos que a Portaria Inmetro nº 118/2021 exclui do regulamento: leva as cinco informações obrigatórias, na peça ou, se embalada como prevê o item 26.1, só na embalagem. Esse item fala em "meias em geral" e vale para produtos "que possuam as mesmas características e composição têxtil": pela letra do texto, pacote que junte meias de composições diferentes fica fora da exceção. A portaria não define "características", e não se pode afirmar que cor ou estampa diferente a derrube.

O terceiro é o tamanho. A etiqueta exige "tamanho ou dimensão, conforme o caso", mas a portaria não fixa padrão próprio para meia. O Inmetro orienta usar a forma aplicável ao produto onde houver tamanho padronizado, como P/M/G ou numeração. Medidas de roupa estão em tabela de medidas ABNT.

Nenhuma das fontes oficiais consultadas (IBGE, Comex Stat, prefeituras e entidades dos polos) publica preço de meia no atacado, e nem a inflação oficial acompanha a meia à parte: no IPCA, o grupo Vestuário tem subitem para cueca, lingerie, bolsa e mochila, e nenhum para meia.

"Meias atacado 1 real" existe como busca, e nenhuma fonte oficial consultada permite afirmar nem negar esse preço, que é de cada fornecedor, varia com matéria, tipo e quantidade, e se confere na nota.

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Perguntas frequentes

Pelo Cadastro Central de Empresas do IBGE, o país tinha 220 unidades locais de fabricação de meias em 2024, quase nove em cada dez em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. As cidades com mais unidades são Juiz de Fora (71), São Paulo (44), Blumenau (9), Cerquilho (8), Brusque e Joinville (7 cada); em pessoas ocupadas, Cerquilho vem na frente, com 1.991 das 6.226. No cadastro de CNPJ da Receita, base de 12/09/2026, são 363 registros ativos com a atividade como principal, 100 em Juiz de Fora: outra régua, que não se soma à do IBGE.

Nenhuma fonte consultada que traga medida elege capital. O IBGE dá duas réguas com resultados diferentes: em unidades locais, Juiz de Fora vem na frente, com 71 das 220 do país em 2024; em pessoas ocupadas, Cerquilho (SP), com 1.991 contra 734. A Prefeitura de Juiz de Fora chama a cidade de "segundo maior polo produtor de meias do Brasil", num trecho sem data e sem régua declarada. Não encontramos lei que dê a alguma cidade o título de capital da meia, mas a busca não cobriu a legislação paulista nem a municipal.

Poucas, e o dado oficial não mostra polo no estado. O IBGE conta 5 unidades locais de fabricação de meias no Rio de Janeiro em 2024, 3 na capital e 2 em Duque de Caxias. No cadastro da Receita, base de 12/09/2026, são 9 registros ativos com a atividade como principal: 3 em Duque de Caxias, 3 na capital e 1 em cada um de Magé, Barra Mansa e Três Rios. Nova Friburgo, polo de moda íntima, não tem nenhum; registro que cita meia só como atividade secundária não é fábrica de meia.

As duas existem, e nenhum dado oficial consultado diz quanto de cada uma se consome. Do lado nacional, a PIA-Produto do IBGE registra 125,9 milhões de pares de meia de algodão ou outras fibras naturais produzidos em 2024 por 39 empresas, só da indústria de maior porte. Do lado importado, entraram 62,8 milhões de pares de meia de algodão em 2025, e aí o Paraguai respondeu por 57,6% do valor, à frente da China, com 25,8%. Os dois números têm cobertura e ano diferentes: não se somam nem se dividem.

Nenhuma fonte oficial consultada responde, nem para confirmar nem para negar. O IBGE, o Comex Stat e as prefeituras e entidades dos polos consultadas não publicam preço de meia no atacado, e nem a inflação oficial acompanha a meia à parte: o IPCA tem subitem para cueca e lingerie, não para meia. Preço de atacado é de cada fornecedor, varia com matéria, tipo e quantidade, e se confere na nota.

Jeff Bruno

Jeff Bruno

Editor responsável do Atacado Modas. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, passou anos comprando no Paraguai para revender e hoje lida com importação da China na operação onde trabalha. Aqui escreve o que dá para provar: toda ficha sai com data e fonte. Curitiba/PR.

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