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O que o canal desconta · Custos e preço

Enjoei para quem revende: comissão, frete, repasse e devolução

A comissão é a linha que todo mundo olha, e quase nunca é a que explica o valor que aparece na conta. No Enjoei existem quatro linhas de desconto, dois relógios que correm juntos no repasse e um prazo de devolução que a própria plataforma publica com dois números diferentes.

Neste artigo

A comissão é a linha que todo mundo olha, e quase nunca é a que explica o valor que aparece na conta no fim.

Fomos às páginas do próprio Enjoei — tarifas, pagamento, envio, cancelamento, devolução e termos de uso — para montar o caminho do dinheiro de ponta a ponta: o que é descontado, quando o saldo fica disponível e o que acontece quando a peça volta.

A resposta curta

O Enjoei desconta comissão de 12% (clássico) ou 18% (turbinado) mais uma tarifa fixa por faixa de preço, que no clássico vai de R$ 2,50 a R$ 40,00. O dinheiro entra no enjugrana 15 dias corridos após a transação, desde que passados 8 dias da entrega, e o saque leva mais 2 a 5 dias úteis. Na devolução, o comprador tem 7 dias corridos e o vendedor tem 2 dias úteis para contestar. Tudo lido nas páginas oficiais em 26/08/2026.

As duas linhas que saem de toda venda

O artigo Tarifas e Comissões descreve a conta em passos. O primeiro é a comissão, e ela depende do modo de anúncio que o vendedor escolhe na publicação: "12% no modo clássico ou 18% no modo turbinado". O segundo é a tarifa fixa, "estabelecida de acordo com o valor da transação" — e o artigo não traz a tabela, manda consultar em outro lugar.

O "outro lugar" é rastreável, e o caminho merece registro. O link "clicando aqui" do artigo oficial aponta, em 26/08/2026, para next.qa.enjoei.io/c/ajuste-comissionamento-classicoum domínio de QA, e não a rota equivalente em produção, que responde 403. Nessa página a grade está publicada como imagem, e é o texto alternativo dela que soletra as nove faixas por extenso ("venda de até 15 reais, tarifa de 2 reais e cinquenta centavos (...) venda de 500 reais e 1 centavo ou mais, tarifa de 40 reais"). A própria página data a mudança: vigente a partir de 06/01/2025. Os valores do modo turbinado não têm página viva equivalente — estão aqui como leitura do serviço de comissões da plataforma, em 26/08/2026, e é a coluna a conferir na tela antes de anunciar.

Valor da vendaTarifa fixa — clássicoTarifa fixa — turbinado
até R$ 15,00R$ 2,50R$ 3,50
R$ 15,01 a R$ 30,00R$ 6,00R$ 7,50
R$ 30,01 a R$ 50,00R$ 6,50R$ 8,50
R$ 50,01 a R$ 70,00R$ 8,00R$ 10,50
R$ 70,01 a R$ 100,00R$ 10,00R$ 12,50
R$ 100,01 a R$ 150,00R$ 12,50R$ 16,50
R$ 150,01 a R$ 300,00R$ 21,50R$ 27,50
R$ 300,01 a R$ 500,00R$ 35,00R$ 45,00
R$ 500,01 em dianteR$ 40,00R$ 50,00

Três leituras que mudam a conta de quem vende peça a peça:

  • A tarifa é por faixa, não proporcional. Entre uma venda de R$ 30,00 e outra de R$ 30,01 a tarifa fixa do clássico sobe R$ 0,50 por causa de um centavo. Quanto menor o preço da peça, maior o peso relativo dessa linha.
  • O desconto que você dá entra na conta. O item 5 do mesmo artigo diz que "todas as reduções de preço feitas pelo vendedor devem ser consideradas no cálculo das tarifas", e que o valor líquido aparece nas informações do pedido.
  • Em pedido com duas peças ou mais, a tarifa fixa incide uma vez. O texto é explícito: "em transações com 2 ou mais produtos, a tarifa fixa será aplicada na soma dos valores de cada produto".
Não confunda com o Enjoei Pro

É outro serviço, com outro modelo: o artigo Taxas do enjoei pro publica comissão de 50% do valor da venda e tarifa fixa medida pela idade do anúncio (R$ 7,50 até 90 dias, até R$ 50,00 acima de 360 dias), além de R$ 19,90 por envio ou coleta — leitura de 26/08/2026. Material de terceiros mistura as duas tabelas — a do Pro é por dias, a do Enjoei comum é por reais.

O envio protegido, e a divergência dentro do próprio site

Existe uma terceira linha, opcional, contratada só no momento do anúncio: o envio protegido, que garante reembolso em caso de extravio, avaria ou sinistro, com teto de R$ 3 mil.

Aqui aparece algo que vale registrar, porque quem for conferir vai esbarrar nisso. Duas páginas oficiais publicam a mesma fórmula com bases de cálculo diferentes, ambas lidas em 26/08/2026. Em Tarifas e Comissões: "para vendas em que o vendedor receberá uma comissão superior a R$25,63, o cálculo é: [(valor total da transação - R$25,63) * 1,5% + R$1,49]". Já em Sobre envio protegido: "[(valor da comissão do vendedor - R$ 25,63) x 1,5%] + R$ 1,49".

Uma diz valor da transação, a outra diz comissão do vendedor. Não é detalhe: em venda de R$ 200 as duas contas dão resultados distintos. A segunda página acrescenta o que a primeira não diz — abaixo de R$ 25,63 de valor a receber, "o reembolso em caso de extravio, sinistro ou avaria é ofertado gratuitamente" — e avisa que o valor final é exibido na contratação. É esse número da tela que vale.

A contrapartida de não contratar está na política de pagamento, e é dura: "caso o vendedor não opte pelo envio protegido e o produto [seja] extraviado, o vendedor não receberá valores a receber".

Quem paga o frete, e quem escolhe a transportadora

A política de envio responde as duas perguntas em uma linha: no envio por transportadora, "o comprador arcará com os custos do frete". A alternativa publicada é a retirada em mãos, quando as duas partes estão na mesma região.

Quem escolhe a empresa não é o vendedor: "a escolha da transportadora é realizada automaticamente pelo sistema, considerando o melhor custo, distância e experiência para ambos os lados. Sendo assim, não [é] possível alterar a transportadora selecionada". Também não dá para mudar a forma de entrega depois da venda concluída. Isso é o oposto de canais em que você monta o envio, como o Correios com peso cubado na venda direta.

O frete, porém, aparece do outro lado como benefício comercial. O artigo de tarifas lista, entre o que a plataforma oferece ao vendedor, "cobertura de até 100% do valor do frete para incentivar o comprador a fechar negócio". Quanto disso entra em cada venda, o texto não quantifica.

Sobre prazo, a política de envio recomenda — não obriga — postar em até 5 dias úteis, e pede que o vendedor avise o comprador se não conseguir. Os termos de uso trazem a mesma recomendação em dias corridos. Se você trabalha com grade e tamanho, o risco de atraso é o de sempre: vender o que já saiu. O guia de catálogo digital de roupas trata do artefato que dispara esse erro.

Quando o dinheiro cai: dois relógios e o mais lento manda

A política de pagamento descreve o repasse assim: os valores são creditados no enjugrana "após 15 (quinze) dias corridos" da transação, "no entanto, é necessário que se tenham passado 8 (oito) dias desde a confirmação da recolha do produto pelo comprador ou da comprovação da entrega disponibilizada pelo operador logístico".

São dois prazos que correm juntos, e o crédito só aparece quando os dois fecharam. Os termos de uso redigem a mesma regra com um detalhe a mais que a central omite: o prazo de 8 dias conta da confirmação de recebimento ou da comprovação de entrega, "o que ocorrer primeiro".

Depois disso vem o saque, que é um terceiro tempo: "o prazo de compensação bancária é de 2 a 5 dias úteis", e "a transferência será realizada em nome do Pagarme ou em nome do Enjoei" — se o extrato não trouxer o nome da plataforma, é isso.

E há as tarifas que não têm relação com venda nenhuma, no item 6 do artigo de tarifas, lido em 26/08/2026:

  • Saque: R$ 3,00, com o primeiro saque do mês gratuito. O valor mínimo para sacar é R$ 10,00.
  • Inatividade: conta sem movimentação de 2 a 5 meses paga R$ 14,99 por mês; acima de 6 meses, R$ 29,99. O mesmo artigo diz que o aviso de cobrança sai por e-mail com 15 dias de antecedência.

É a linha que surpreende quem trata o canal como vitrine secundária e passa meses sem mexer na conta. Vale comparar com o que outros canais fazem com o mesmo dinheiro — o WhatsApp não tem comissão e tem outro custo, e os meios de recebimento direto têm prazos próprios.

A devolução: o relógio, e o número publicado em dois lugares diferentes

Aqui está o achado mais concreto desta apuração. O Enjoei publica o mesmo artigo em duas seções da central, e o prazo de postagem da devolução não bate entre elas. Conferimos as duas páginas em 26/08/2026:

PáginaO que ela diz sobre o prazo de postagem
Política de devolução — Para vendedores"O comprador tem um prazo de 3 dias úteis para a postagem, a partir da realização da solicitação"
Política de devolução — Para compradores"O comprador tem um prazo de 2 dias úteis para a postagem (...) O prazo começa no primeiro dia útil seguinte à solicitação"

Não escolhemos um dos dois. Se o seu caso depender desse prazo, é a página que o comprador enxerga que rege o comportamento dele — e a contagem a partir do primeiro dia útil seguinte só está lá.

O resto do relógio confere nas duas versões: 7 dias corridos para o comprador solicitar a devolução, e 2 dias úteis para o vendedor contestar "após a recuperação da devolução", se o produto voltar danificado ou alterado. E os termos de uso dizem o que acontece com o seu dinheiro no meio disso: "uma vez solicitada a devolução do produto pelo usuário comprador, o Enjoei irá reter o pagamento do usuário vendedor".

É por isso que a foto deixa de ser vitrine e vira prova. Os termos obrigam: "antes de enviar o produto ao usuário comprador, o usuário vendedor deve fotografá-lo", e as fotos devem ser guardadas até o valor cair no enjugrana. Sem elas, "será presumido que o produto foi enviado nas condições que o usuário comprador comprovar que o recebeu". Como fazer esse registro está em como fotografar roupa para vender.

Por cima de tudo corre o art. 49 do Código de Defesa do Consumidor, que dá 7 dias para desistir de compra feita fora do estabelecimento comercial — o mesmo direito que aparece em prazo para trocar produto com defeito e em loja é obrigada a trocar roupa?.

O que não conseguimos apurar: quem paga o frete de volta

Esta pergunta ficou aberta, e o caminho testado fica registrado.

Lemos, em 26/08/2026, a política de devolução nas duas seções, a política de cancelamento, a política de envio, o artigo do envio protegido e os termos de uso. Todos descrevem que o comprador recebe "uma etiqueta ou código QR para a postagem do produto", e nenhum diz de quem sai esse custo. O artigo da central com o título exato "Quem paga o frete da devolução?" aparece em buscador, mas as rotas redirecionam para a raiz da ajuda — ele saiu do ar.

Existe um texto de 2020, de estrutura de ajuda extinta, com valores de coparticipação de frete. Não o publicamos como vigente: é de outra época, de página que não existe mais, e trata do frete da venda, não do da devolução. Número sem página viva não entra aqui.

O que o Enjoei publica com clareza é a fronteira da responsabilidade dele: "caso ocorram contratações de terceiros para intermediar devoluções, ou a postagem seja realizada através de outra etiqueta que não a gerada e disponibilizada pelo Enjoei, não nos responsabilizaremos por eventuais intercorrências".

Fontes do próprio empreendimento

site, FAQ e material de quem administra o lugar — é declaração do interessado

Revenda: o que os termos dizem, e a régua que eles não publicam

Os termos de uso reconhecem a revenda com nome próprio. Na cláusula de limitação de responsabilidade aparece a expressão "usuários vendedores que fazem revenda de produtos de terceiros por intermédio da plataforma (vendedores de ponta a ponta)" — o modelo está no contrato, e a plataforma apenas se exime de responder pela relação com os donos dos produtos. A mesma cláusula diz que ela não responde "pelas obrigações de natureza tributária" da negociação, o que joga o assunto para nota fiscal na revenda de roupa e para o MEI.

O que os termos não trazem é régua de volume: não localizamos exigência de CNPJ, proibição de pessoa jurídica nem teto de faturamento. O cadastro é amarrado ao CPF — "seja titular de uma conta bancária registrada com o mesmo CPF utilizado para o cadastro" — e o silêncio sobre o resto é do próprio contrato. Não preenchemos esse silêncio com dedução. Para comparar com o que outra plataforma publica sobre o mesmo assunto, veja quanto a Shopee desconta por venda.

Três travas publicadas pegam justo quem opera em volume:

  1. Foto sua, e sem montagem. As fotografias "devem ser feitas por você e devem corresponder à fiel reprodução do produto ofertado", e a lista de proibições inclui "não coloque fotos com montagens e/ou com marca d'água". Foto de fornecedor não passa. Ao mesmo tempo, ao publicar você autoriza que terceiros revendam "utilizando o mesmo anúncio, incluindo as fotografias e texto".
  2. Cancelamento cobra caro no começo. Pela política de cancelamento, dois cancelamentos nas cinco primeiras vendas tiram o vendedor da plataforma por 15 dias corridos; três "o vendedor será impossibilitado de vender no Enjoei, sem opção de reativação". Acima de três vendas, taxa de cancelamento acima de 80% suspende a lojinha.
  3. Anúncio tem piso e formato. O artigo Tudo sobre anúncios fixa preço mínimo de R$ 9,00, descrição de no mínimo 30 caracteres e proíbe "hashtags, números e links" no título e na descrição (acesso em 26/08/2026).

Se você já vende em outros canais, a comparação honesta é de conta, não de preferência: veja o que cada um publica em Shopee ou Mercado Livre para roupa, em vender na Shein no Brasil, no Magalu Marketplace, no Instagram, no TikTok Shop e na consignação — e leve tudo para o cálculo do preço de venda antes de anunciar. Peça de segunda mão tem ainda o recorte do brechó.

Estes números caducam

Comissão, tarifa fixa e prazo de plataforma mudam por comunicado, sem aviso ao mercado. Tudo aqui foi lido nas páginas oficiais do Enjoei em 26 de agosto de 2026, e a tabela de tarifa fixa do modo clássico veio da página que o próprio artigo de tarifas indica — servida em domínio de QA, com a grade dentro de uma imagem. Antes de precificar, confira o valor que aparece na tela do seu anúncio.

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Transparência: alguns links deste site podem ser de parceria — comprando por eles, o site pode receber comissão, sem custo extra pra você. A apuração não muda: ficha com data e fonte, com ou sem parceria.

Perguntas frequentes

São duas linhas somadas, e o vendedor escolhe a primeira ao anunciar. O artigo "Tarifas e Comissões" publica comissão de 12% no modo clássico e 18% no turbinado. Por cima entra a tarifa fixa, que varia por faixa de preço da transação: no clássico vai de R$ 2,50 (venda até R$ 15) a R$ 40,00 (venda de R$ 500,01 em diante); no turbinado, de R$ 3,50 a R$ 50,00. A grade do clássico está publicada como imagem na página que o próprio artigo de tarifas indica, vigente desde 06/01/2025 e lida em 26/08/2026; a do turbinado não tem página viva equivalente. Podem entrar ainda o envio protegido, se contratado, e as tarifas do enjugrana.

A política de pagamento do Enjoei descreve dois prazos que correm ao mesmo tempo, e vale o mais lento: o crédito entra no enjugrana 15 dias corridos após a transação, e ainda é preciso que tenham passado 8 dias da confirmação de recebimento pelo comprador ou da comprovação de entrega pelo operador logístico. Depois disso, o saque para o banco tem compensação de 2 a 5 dias úteis, e a transferência pode aparecer no extrato em nome do Pagarme. Lido em 26/08/2026.

Não conseguimos apurar. Lemos as duas versões da política de devolução, a política de envio, a de cancelamento e os termos de uso em 26/08/2026: todas dizem que o comprador recebe uma etiqueta ou QR code gerado pelo Enjoei, e nenhuma diz de quem sai o custo. O único texto que já tratou de rateio de frete na plataforma é de 2020, de página extinta e sobre o frete da venda, não o da devolução — por isso não o publicamos como se valesse hoje. O que continua valendo é o art. 49 do CDC.

Os termos de uso não exigem CNPJ e também não proíbem, em nenhum trecho que localizamos, o vendedor que tenha um. O que eles exigem é CPF e conta bancária no mesmo CPF do cadastro, condição que a política de pagamento repete. Na prática, o dinheiro cai em conta de pessoa física — e a obrigação tributária da venda é do vendedor, porque os próprios termos dizem que o Enjoei não responde por ela. Lido em 26/08/2026.

Os termos de uso reconhecem essa figura com nome próprio: "vendedores de ponta a ponta", numa cláusula em que a plataforma se exime de responder por prejuízos na relação entre esse vendedor e os donos dos produtos. Ou seja, o modelo aparece no contrato. A trava que pega revenda é outra: a foto do anúncio tem de ser feita por você e ser fiel ao produto ofertado, o que descarta a imagem do fornecedor. Lido em 26/08/2026.

Jeff Bruno

Jeff Bruno

Editor responsável do Atacado Modas. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, passou anos comprando no Paraguai para revender e hoje lida com importação da China na operação onde trabalha. Aqui escreve o que dá para provar: toda ficha sai com data e fonte. Curitiba/PR.

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