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Estantes de metal cinza abarrotadas de peças de malha e tecido enroladas e dobradas, em dezenas de cores e padronagens, empilhadas até o topo de cada prateleira
Onde comprar · China

Mercado de Yiwu: os distritos, o horário e o que dá para comprar

Quem chega em Yiwu procurando arara de roupa pronta no International Trade City erra de prédio. O distrito de moda vende meia, lingerie, chapéu, cinto e calçado — e a roupa pronta está num mercado separado, do outro lado da cidade. Este guia monta o mapa andar por andar, com a fonte oficial de cada linha, e separa o que a operadora publica hoje do que envelheceu.

Neste artigo

Quase toda descrição de Yiwu em português começa pelo mesmo lugar: o número. O maior mercado atacadista de pequenas mercadorias do mundo, milhões de metros quadrados, dezenas de milhares de boxes. O número impressiona e não ajuda em nada quem desembarca lá com uma sacola vazia e três dias.

O que ajuda é outra coisa: Yiwu não é um mercado, são oito, e o de moda que quase todo mundo procura não é o que quase todo mundo visita. Quem entra no Distrito 4 achando que vai encontrar arara de vestido e camisa vai encontrar meia, sutiã, boné, cinto e chinelo — que é exatamente o que a operadora publica que tem lá. A roupa pronta está num prédio separado, com outro nome, outro horário e outro endereço.

A resposta curta

O distrito de vestuário-acessório é o Distrito 4 do International Trade City: 1º andar meia e legging, 2º luvas e chapéus, 3º calçados e rendas, 4º lingerie, cinto e lenço. Roupa pronta não fica ali — fica no Huangyuan Garment Market, mercado separado, com 8 andares e mais de 5.500 boxes (1F jeans e calças, 2F masculino, 3F e 4F feminino, 5F infantil). Aviamento é no 3º andar do Distrito 3; tecido de moda, no 1º andar do Distrito 6. O mercado abre 8:30 (é o único horário em documento normativo) e fecha por volta de duas semanas no Ano Novo Chinês. Brasileiro com passaporte comum entra sem visto por 30 dias, isenção válida até 31/12/2026.

Um mercado, oito endereços

A operadora é a Zhejiang China Commodity City Group (小商品城), empresa listada na bolsa de Xangai sob o código 600415.SH. Ela publica o mercado físico em duas plataformas próprias — a Chinagoods e o Yiwugo — e, na página de mercados, lista as unidades assim: Distritos 1 a 5 do International Trade City (国际商贸城), mais o Distrito 6 (全球数贸中心 / Global Digital Trade Center), o Huangyuan Garment Market (篁园服装市场) e o mercado internacional de bens de produção (国际生产资料市场).

O complexo fica no subdistrito de Futian (福田街道), uma das 14 divisões administrativas de Yiwu — daí o apelido "Futian Market", que aparece em muito material em inglês e é o mesmo lugar.

Uma observação de método antes de qualquer tabela: a Chinagoods é a plataforma da própria operadora, ou seja, fonte do interessado. Sempre que existia registro do governo municipal para o mesmo dado, cruzamos os dois — e, quando divergem, dizemos qual prevalece e por quê. Como cada número deste site é conferido está em como apuramos.

O mapa de moda, andar por andar

Esta é a tabela que resolve o problema de logística de quem vai comprar roupa e acessório. Todas as linhas saem das páginas oficiais de cada unidade na Chinagoods, nas versões chinesa e inglesa.

UnidadeO que interessa a quem revende modaAndar
Distrito 4Meias e leggings
Luvas, chapéus e bonés, outros artigos de malha e algodão
Calçados, fitas, rendas, gravatas, lã e toalhas
Sutiãs e lingerie, cintos, lenços e echarpes
Centro de venda direta de fábricas e centro de compras turístico
Huangyuan Garment MarketJeans e calças, alfaiataria sob medida, varejo geral
Moda masculina e insumos/expositores de confecção
Moda feminina
Moda feminina, pijamas, tricô e suéter, roupa esportiva e camisaria
Moda infantil
Roupa importada da Coreia e "Quality Life Pavilion"7º e 8º
Distrito 3Cosméticos e aviamentos de confecção — zíperes e botões
Aviamentos e acessórios de confecção (anexo nº 3)
Distrito 6Tecidos de moda para confecção, joias e bijuteria de moda
Distrito 5Cama, mesa e banho, perucas e apliques, tecidos de malha e cortina, matéria-prima têxtil2º ao 4º
Yiwu China Import Commodity City — produtos importados de mais de 100 países

Os outros dois distritos não são de moda, mas entram no roteiro de quem monta loja: o Distrito 1 concentra flores artificiais, pelúcia e brinquedos no 1º andar, adornos de cabeça e bijuteria no 2º, artigos de festa, decoração, porcelana e componentes de bijuteria no 3º e um centro de venda direta de fábricas no 4º. O Distrito 2 tem malas, bolsas, guarda-chuvas e embalagem de presente no 1º, ferragem e produtos elétricos no 2º, ferragem de cozinha e banheiro, pequenos eletrodomésticos e relógios no 3º, venda direta no 4º e, no 5º, uma área de produtos especiais com agências de comércio exterior.

⚠️ Onde o senso comum erra

Vale isolar, porque é o erro que custa dia de viagem.

O Distrito 4 é o "distrito de vestuário", mas não vende vestuário. A própria página oficial em inglês descreve o mercado como socks, leggings, gloves, hats, shoes, bra underwear, belt, scarf. É o distrito de acessório e malharia — não de peça pronta. A confusão nasce em material de terceiros que traduz o setor chinês 服装 como "roupa" sem olhar a lista de andares que vem logo em seguida.

A roupa pronta está no Huangyuan, aberto em 05/05/2011, com oito andares, sendo os cinco primeiros de operação comercial. E há um dado da própria fonte oficial que quem planeja compra deveria ler antes de comprar passagem: a página da operadora declara que a exportação do Huangyuan se dirige principalmente ao Oriente Médio e à África. O Brasil não é o eixo declarado desse mercado. Isso não significa que não se compre — significa que a grade, a modelagem e a estampa foram pensadas para outro público, e conferir peça na mão passa a valer ainda mais.

Se a decisão de onde comprar ainda está aberta, a comparação estrutural está em comprar no Brás ou importar da China e qual polo de atacado escolher. A diferença entre comprar de fábrica e comprar de intermediário está em comprar roupa direto da fábrica.

O tamanho do lugar — e por que os números não fecham

Aqui a apuração tem que ser explícita, porque a fonte oficial se contradiz e o número redondo circula muito.

O Yiwugo, plataforma oficial do mercado, anuncia 75.000 boxes no próprio título do site e, na página institucional, 50.000 lojas, 210.000 fornecedores e 5 milhões de tipos de mercadoria. São números de marketing institucional: não têm data e não têm metodologia declarada.

Somando o que a operadora publica unidade por unidade, a conta dá outra coisa:

UnidadeBoxes declaradosFonte
Distrito 1mais de 9.000Chinagoods (sem data de revisão)
Distrito 2entre 8.000 e 9.000Chinagoods — cabeçalho e corpo da mesma página divergem
Distrito 3entre 6.000 e 7.000governo municipal (11/2024) x Chinagoods
Distrito 417.498ficha oficial da 4ª filial, governo municipal, 06/11/2024
Distrito 5mais de 7.000Chinagoods (sem data de revisão)
Huangyuanmais de 5.500Chinagoods (o governo registrava 4.991 em 2018)

Isso fecha em torno de 55 mil, não 75 mil — e o Distrito 6, inaugurado em outubro de 2025, ainda está em ocupação. Publicamos os dois números com a origem de cada um e não fazemos aritmética entre eles, porque as fontes não declaram o critério de contagem.

Do lado do porte total, o governo municipal descreve o mercado como "o maior mercado atacadista de pequenas mercadorias do mundo" — superlativo que ele próprio atribui a organismos como ONU, Banco Mundial e Morgan Stanley — com mais de 6,4 milhões de m² de área operacional e mais de 210 mil pessoas empregadas. Só que essa página é de 21/01/2021, e a página-índice do mesmo portal já fala em treze ampliações e seis gerações de mercado, contra dez ampliações e cinco gerações do artigo. É dado envelhecido pela própria fonte.

O caçula é o Distrito 6 / Global Digital Trade Center, inaugurado em 14 de outubro de 2025: 562 mu de terreno, 1,25 milhão de m² construídos e 8,3 bilhões de yuans de investimento, do outro lado da rua em relação ao mercado de quinta geração, segundo o registro do governo municipal. Para quem trabalha com moda, o que interessa ali é o 1º andar: tecido de moda para confecção.

O complexo, aliás, é oficialmente ponto turístico de compras nível 4A — consta como 义乌中国国际商贸城购物旅游区 na lista de atrativos classificados do município de 2024, com endereço de gestão no 4º andar do Distrito 4 e telefone 0579-85191771.

O horário: três camadas diferentes, e só uma é norma

Este é o ponto onde mais se publica número sem lastro, então vamos separar o que é o quê.

1) O que é norma. A abertura às 8:30 aparece num documento oficial: o aviso de funcionamento do Ano Novo Chinês de 2024, publicado pelo governo municipal com origem declarada na Zhejiang China Commodity City Group, determina a reabertura de todas as unidades às 8:30 do dia 21/02/2024. É o horário de abertura mais bem sustentado que encontramos.

2) O que é matéria jornalística de 2021. Os horários de fechamento por distrito vêm de um artigo de 09/07/2021 no canal de notícias da própria operadora. É a fonte mais completa que existe e tem cinco anos:

UnidadeAbreFechaObservação da fonte
Distrito 18:3017:30catracas de entrada fecham 16:30; maioria das lojas opera 8:30-17:00
Distritos 2, 3 e 48:3017:30mesmo padrão do mercado de bens de produção
Distrito 58:3017:00fechamento antecipado
Huangyuan (roupa)7:3020:30mercado especializado, jornada mais longa

Não trate essa tabela como horário oficial vigente. É artigo editorial, não aviso normativo, e envelheceu cinco anos. Serve como ordem de grandeza para montar roteiro — e o Huangyuan abrindo mais cedo e fechando muito mais tarde é a informação prática que muda o dia de quem vai atrás de roupa pronta.

3) O que é balcão, e não é mercado. Circula como "horário do mercado de Yiwu" o horário dos centros de atendimento ao cliente de cada distrito, que a Chinagoods publica hoje e que é outra coisa: é o guichê da operadora, com intervalo de almoço. Vale como telefone de conferência, não como hora de comprar:

Balcão de atendimentoManhãTardeTelefone
Distrito 19:00-11:3013:00-17:000579-85289922
Distrito 29:00-11:3013:00-17:000579-85188188
Distrito 38:45-11:1512:30-16:300579-85160088
Distrito 48:45-11:0013:00-16:450579-81560018
Distrito 58:30-11:3012:30-16:300579-81060021
Huangyuan8:30-11:0014:00-17:00 (verão) / 13:30-17:00 (inverno)0579-81070017

A parada de duas semanas que ninguém programa

O mercado fecha no Ano Novo Chinês, e não é meio expediente. No feriado de 2024, o aviso oficial fechou os Distritos 1 a 5 e o mercado de bens de produção na tarde de 05/02, o 1º andar do Distrito 5 e o Huangyuan na tarde de 07/02, e reabriu tudo em 21/02 — cerca de duas semanas de portas fechadas.

O calendário é móvel, muda todo ano e a operadora publica um aviso novo a cada edição. Se a sua viagem cai em janeiro ou fevereiro, procure o aviso do ano antes de comprar passagem. E lembre que o efeito não termina no portão do mercado: fábrica parada também atrasa produção e embarque, o que entra direto na conta de quanto tempo demora uma encomenda da China.

Como se chega

De avião. Yiwu tem aeroporto próprio. A Estação de Aviação Civil de Yiwu (义乌民用航空站) é órgão público municipal, com sede na Rua Minhang, 201, dentro do aeroporto, CEP 322007. A página oficial do órgão é um guia de transparência: não traz rotas nem companhias, e não apuramos a malha aérea.

De trem. Yiwu está na malha de alta velocidade. A ferrovia Hangzhou–Wenzhou (杭温高铁) entrou em operação em 06/09/2024 e para em Yiwu: o trecho Hangzhou Oeste ↔ Yiwu leva no mínimo 34 minutos, segundo a Comissão de Desenvolvimento e Reforma de Zhejiang.

Aqui entra uma ressalva que a própria fonte faz e que quase nenhum material em português carrega: a estação de Yiwu está em obra de reconstrução. Em resposta oficial da estação publicada em 24/01/2025, o 2º andar virou sala de embarque da alta velocidade Hangzhou–Wenzhou e o 3º andar, da linha convencional Xangai–Kunming; a estação recomenda chegar 1 a 2 horas antes; e o ônibus direto entre a estação de Yiwu, no terminal do International Trade City, e a estação Hangzhou Leste passou de 1 para 12 partidas diárias, com intervalo de 1 a 2 horas.

Quadros de horários de 2023 e 2024 do mesmo governo registravam 154 e depois 187 trens de alta velocidade por dia na estação, com dezenas de serviços diretos de Xangai Hongqiao. Esses números estão superados pela obra e não devem ser usados como oferta atual. O que eles provam é que Yiwu está na malha ligada a Xangai, não quantos trens existem hoje.

Do terminal ao mercado. O próprio mercado opera linhas de ônibus, listadas na aba de orientação de transporte das páginas de distrito na Chinagoods:

LinhaTrajetoHorário
Especial 5Aeroporto de Yiwu ↔ Nanfanglian7:00-17:00, nos dois sentidos
Especial 3Estação ferroviária ↔ Nanfanglian7:00-17:00, nos dois sentidos
Especial 2Terminal rodoviário do International Trade City → mercado de bens de produção7:40-17:00

A página não declara tarifa nem frequência. E há um detalhe de expectativa: os endereços que aparecem em documento oficial — Rua Yinhai no portão sul do Distrito 4, Rua Yinhai 567 para o Centro Digital, Rua Huangyuan 51 para o mercado de roupa — são endereços de escritório das filiais operadoras, não a portaria por onde o comprador entra. Não localizamos, em fonte oficial, o endereço postal da entrada principal do complexo.

Entrar e comprar: o que a fonte confirma, e o que ela não confirma

Sobre entrar, a resposta honesta é que não sabemos. Procuramos regra de entrada nas páginas da operadora, no Yiwugo em chinês e em inglês, no portal do governo municipal e no portal de comércio exterior de Yiwu. Nenhuma página oficial publica exigência de cartão, ingresso, agendamento ou cadastro para visitar e comprar — e nenhuma publica o contrário. Como não achamos uma página dizendo "não precisa", não escrevemos que não precisa. Fica declarado como lacuna.

Sobre o cadastro que existe, ele é outro. O 备案 de comprador estrangeiro, na Secretaria de Comércio de Yiwu, existe para exportar e liquidar câmbio pelo regime de compra em mercado (市场采购贸易) — não para entrar no prédio. O passo a passo bilíngue publicado pela Secretaria tem quatro etapas: obter o "cartão de amigo comerciante estrangeiro" (外籍商友卡) no posto policial local; comparecer pessoalmente com passaporte e cartão ao International Trade Service Centre, Rua Futian, 288, guichê nº 2, para obter o formulário de registro de comprador estrangeiro; abrir conta pessoal de câmbio em banco; e pedir a liquidação cambial ao banco. A página é de 19/11/2020, mas o regime segue vigente: o manual operacional do sistema de câmbio para o comprador estrangeiro está datado de 12/02/2026 no mesmo portal.

Sobre atacado e varejo, o registro mais útil vem de fora do mercado. Numa reportagem publicada em 20/06/2025 no site do Ministério da Cultura e Turismo da China, o texto trata o "turismo de compra" em Yiwu como fenômeno e observa que só no 4º andar do Distrito 1 dezenas de lojas exibem a placa 可批发和零售 — atacado e varejo. O mesmo texto registra que o mercado mantém uma base gratuita de aulas de inglês, árabe e espanhol para os lojistas. Não existe regra publicada de pedido mínimo válida para o mercado inteiro: quantidade se negocia box a box, e a placa é o sinal visível de quem faz peça avulsa.

Sobre serviços oficiais ao estrangeiro, Yiwu tem estrutura própria. Desde 23/05/2024 opera o app Yijing (义境), descrito pelo governo municipal como o primeiro da província para assuntos migratórios de comerciantes estrangeiros, com 126 tipos de consulta e 17 serviços online — incluindo registro de hospedagem, visto e permissão de trabalho. O registro de hospedagem, vale dizer, é obrigação legal do estrangeiro na China; o app só facilita. O mesmo texto registra mais de 25 mil comerciantes estrangeiros por dia na cidade em maio de 2024.

E a plataforma oficial do mercado mantém um serviço de guia que cobre os Distritos 1 a 6, com reserva de até 15 dias de antecedência, segundo a página do Yiwugo. Registramos que existe porque é serviço da própria operadora — mas a página não declara preço, e este site não indica, avalia nem recomenda agente de compras, guia, despachante ou intermediário de espécie alguma. Quem assina o conteúdo aqui e o que ele não é está em quem assina.

Visto: hoje não precisa, e essa frase tem data de validade

O ponto que muda a viagem: brasileiro com passaporte comum não precisa de visto para entrar na China. A isenção é unilateral, cobre negócios, turismo, visita a familiares e amigos, intercâmbio e trânsito, dá até 30 dias de permanência e está prorrogada até as 24h (hora de Pequim) de 31 de dezembro de 2026, conforme aviso da Embaixada da República Popular da China no Brasil. Do lado brasileiro, a isenção passou a ser recíproca em maio de 2026 — o Brasil também dispensa visto de chineses com passaporte comum.

As condições operacionais estão na FAQ oficial da isenção, publicada em 23/05/2025, e três delas costumam ser cortadas por quem resume:

  • Passaporte comum e válido por pelo menos a duração pretendida da estadia. Documento de viagem, provisório ou de emergência não serve.
  • Os 30 dias são corridos, contados do dia seguinte à entrada. Múltiplas entradas são permitidas e, no texto da própria FAQ, "atualmente" não há limite de número de entradas — a palavra é da fonte, e o site não trata isso como direito adquirido.
  • A finalidade importa. A isenção não cobre trabalho, estudo nem atividade jornalística, e a fronteira verifica o motivo da viagem. A recomendação oficial é portar carta-convite, passagens e reserva de hospedagem como comprovação. Comprar mercadoria a negócio está expressamente dentro da isenção.

⚠️ Essa política tem prazo declarado e já foi prorrogada mais de uma vez. Na apuração deste guia, em 20/08/2026, nenhuma fonte oficial anunciava prorrogação além de 31/12/2026 — nem encerramento. Não é "vai acabar" nem "vai continuar": é ausência de ato publicado. Confira no site da Embaixada antes de comprar passagem para 2027.

Se precisar de visto — estadia acima de 30 dias, passaporte não comum ou finalidade fora da isenção — a categoria de negócios é a M, descrita pelo Consulado-Geral em São Paulo como "emitido para pessoas que irão à China para atividades de negócios ou comerciais". A versão detalhada da Embaixada pede carta-convite emitida pela empresa chinesa, com dados do convidado, motivo, datas de chegada e saída, locais de visita, relação com o convidante, origem da despesa, e nome, telefone, endereço, carimbo e assinatura do representante legal do convidante. O pedido começa no sistema online do Ministério das Relações Exteriores chinês; não existe centro de solicitação de visto (CVASC) no Brasil, então o protocolo é entregue diretamente no posto consular. A taxa para cidadão brasileiro é de R$ 475, valor reduzido por medida temporária prorrogada até 31/12/2026, e a coleta de impressões digitais está dispensada até a mesma data para vistos de curta duração. Não publicamos prazo de processamento em dias: o único número que circula sai de uma página da Embaixada sem data, de 2010, contraditada pelo material atual do próprio posto.

Duas pegadinhas de atualidade, porque circulam muito e estão erradas:

  1. O cartão de chegada agora é online. Desde 20/11/2025, o arrival card de estrangeiro é preenchido antes do embarque no site da Administração Nacional de Imigração, em s.nia.gov.cn. Quem não preencher antes pode preencher na chegada. ⚠️ A própria NIA publicou alerta sobre sites falsos de preenchimento de arrival card — use só o endereço oficial, não pesquise no buscador.
  2. Não existe mais "144 horas". O regime de trânsito sem visto de 72/144 horas foi substituído pelo de 240 horas (10 dias). O Brasil está entre os países contemplados e o aeroporto de Yiwu é um dos 65 portos habilitados, com área de permanência em toda a província de Zhejiang, segundo a página oficial da NIA. Só que esse regime exige seguir para um terceiro país — para uma viagem de compra ida e volta Brasil–China–Brasil, o caminho correto é a isenção de 30 dias, não o trânsito.

Yiwu e Cantão na mesma viagem

Quem vai à China em outubro costuma querer emendar a feira com o mercado. A conta é simples e vale fazer antes — as datas das três fases e o que se compra em cada uma estão em Feira de Canton 2026.

Pelo calendário da 140ª edição publicado pela Embaixada da China no Brasil em 24/07/2026, a feira tem 1ª fase de 15 a 19/10/2026, 2ª de 23 a 27/10 e 3ª de 31/10 a 04/11, com períodos de troca de exposição entre elas — e o bloco de moda, incluindo vestuário masculino e feminino, lingerie, roupa esportiva, calçado, malas e tecido, fica na 3ª fase. Registramos que a fonte primária de datas é o site do próprio evento, que não abrimos nesta apuração; aqui é a Embaixada reproduzindo o calendário.

Feita a conta: uma fase isolada mais alguns dias em Yiwu cabe com folga nos 30 dias da isenção. Da 1ª à 3ª fase são 21 dias só de feira — somando voo, deslocamento interno, Yiwu e margem para imprevisto, a viagem encosta no limite dos 30 dias, e aí o visto M deixa de ser burocracia desnecessária e vira o caminho.

Depois da compra, a parte que acontece no Brasil

Nada do que está acima resolve a entrada da mercadoria no país, e é aí que a maior parte do custo aparece. Um resumo do que muda de figura quando a compra sai do carrinho e vira carga:

  1. Quem compra define o que é possível. A trava de CPF e CNPJ está em importar da China com CNPJ ou CPF.
  2. O regime define o imposto. A linha entre remessa simplificada e importação formal está em importação formal ou simplificada, e a alíquota por código de vestuário em alíquota de importação de roupa por NCM.
  3. A tabela de hoje tem data para cair. O que se paga na remessa e o que muda depende de uma medida provisória com prazo — está em taxa das blusinhas e, para compra de pessoa física em site certificado, em Remessa Conforme: quais sites.
  4. O ICMS entra por fora. O cálculo por estado está em ICMS na importação.
  5. Volume grande muda o canal. Habilitação em Radar Siscomex e divisão de carga em container compartilhado da China.
  6. O pagamento ao fornecedor tem regra própria — está em como pagar um fornecedor da China. E se a compra for online em vez de presencial, a diferença entre as plataformas está em Alibaba, 1688 ou AliExpress.
  7. A mercadoria precisa entrar no estoque com documento: nota fiscal de entrada de importação. Se a carga parar na alfândega, o caminho está em fui taxado na alfândega.
  8. E o preço se refaz com o imposto dentro, não depois: como calcular o preço de venda de roupa.

O que a apuração não confirmou

  • Se o comprador estrangeiro precisa de cadastro ou cartão para simplesmente entrar no mercado. Varremos Chinagoods, Yiwugo em chinês e inglês, o portal do governo municipal e o portal de comércio exterior de Yiwu procurando regras de entrada, agendamento ou credenciamento de visitante. Nenhuma página oficial exige — e nenhuma diz que não exige. Não afirmamos "não precisa" sem uma página oficial dizendo isso.
  • O horário de funcionamento do mercado em documento normativo vigente. O que existe é a abertura às 8:30, provada pelo aviso de reabertura pós-feriado de 2024, e uma matéria de 09/07/2021 no canal de notícias da operadora com os fechamentos por distrito. O aviso equivalente do Ano Novo Chinês de 2026 existe no mesmo canal, mas o corpo do texto não renderizou na leitura.
  • As datas de fechamento e reabertura do Ano Novo Chinês de 2027. O calendário é móvel e a operadora publica o aviso a cada ano; o de 2027 não estava publicado na data desta apuração.
  • O endereço postal completo da entrada principal do complexo. O que localizamos foram endereços de escritório das filiais operadoras e a referência do atrativo turístico 4A. O mapa oficial do mercado renderiza em canvas, sem texto extraível.
  • A oferta atual de trens de alta velocidade entre Xangai e Yiwu, e se a linha Xangai–Kunming já voltou a parar na estação depois da reforma. O site oficial da ferrovia bloqueia acesso automatizado, e dois artigos do governo de Yiwu sobre o tema retornam 404.
  • Rotas e companhias aéreas do aeroporto de Yiwu. A página oficial do órgão é um guia de transparência e não publica malha.
  • O preço do serviço de guia da plataforma oficial do mercado. A página não declara valor; o formulário só coleta nome, e-mail, país, data e tipo de produto.
  • As regras de devolução de imposto na saída do país (o "tax free" citado pela reportagem do Ministério da Cultura e Turismo). O texto registra o mecanismo; não abrimos a norma que o disciplina.
  • A página do governo provincial de Zhejiang sobre o atrativo turístico do mercado, que a busca indica trazer descrição de serviços ao comprador. O servidor devolve bloqueio de firewall em todas as tentativas, e não tentamos contornar.
  • Os nomes oficiais em português dos portos do trânsito de 240 horas. A lista é publicada pela NIA apenas como imagem, e a versão em inglês da mesma página perdeu a tabela; as traduções aqui saem do chinês.
Fontes do próprio empreendimento

site, FAQ e material de quem administra o lugar — é declaração do interessado

O retrato de hoje

As fontes deste guia foram lidas em 20 de agosto de 2026. As páginas de cada distrito, do Huangyuan e do Global Digital Trade Center na Chinagoods, plataforma da operadora do mercado; as fichas das filiais, a lista de atrativos 4A, o aviso de funcionamento do Ano Novo Chinês e a resposta oficial da estação ferroviária no portal do governo municipal de Yiwu; o passo a passo do cadastro de comprador estrangeiro e o manual do sistema de câmbio no portal de comércio exterior de Yiwu; o comunicado de abertura da ferrovia Hangzhou–Wenzhou na Comissão de Desenvolvimento e Reforma de Zhejiang; a reportagem sobre turismo de compra no site do Ministério da Cultura e Turismo; os avisos de isenção de visto, taxa consular, impressões digitais e cartão de chegada nos sites da Embaixada e dos consulados chineses no Brasil; e a política de trânsito sem visto na Administração Nacional de Imigração.

O que envelhece primeiro: a isenção de visto, que tem data-limite declarada em 31/12/2026 e depende de novo ato para continuar. Depois dela, o calendário do Ano Novo Chinês, que muda todo ano e fecha o mercado por cerca de duas semanas. E, em terceiro, a situação da estação ferroviária de Yiwu, em obra desde janeiro de 2025.

O que não muda tão cedo: o mapa. Distrito 4 é acessório e malharia, Huangyuan é roupa pronta, Distrito 3 é aviamento, Distrito 6 é tecido de moda e Distrito 5 é cama, mesa, banho e matéria-prima têxtil. Essa divisão é estrutural, está na página de cada unidade e é a única informação deste guia que decide, sozinha, se a sua viagem rende ou não.

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Transparência: alguns links deste site podem ser de parceria — comprando por eles, o site pode receber comissão, sem custo extra pra você. A apuração não muda: ficha com data e fonte, com ou sem parceria.

Perguntas frequentes

Depende do que você chama de roupa, e essa distinção é a que mais faz gente perder dia de viagem. O Distrito 4 do International Trade City é o de vestuário-acessório e malharia: o 1º andar é meia e legging; o 2º, utilidades, luvas, chapéus e outros artigos de malha e algodão; o 3º, calçados, fitas, rendas, gravatas, lã e toalhas; o 4º, sutiã e lingerie, cintos e lenços; o 5º tem centro de venda direta de fábricas e centro de compras turístico. Isso está na página oficial do Distrito 4 na Chinagoods, plataforma da operadora do mercado. Roupa pronta em geral — jeans, moda feminina, masculina e infantil — não está lá: está no Huangyuan Garment Market, um mercado separado da mesma operadora, com oito andares e mais de 5.500 boxes do 1º ao 5º.

A abertura às 8:30 é o único horário que aparece em documento normativo: o aviso oficial de reabertura pós-Ano Novo Chinês de 2024, publicado pelo governo municipal, manda todos os distritos abrirem às 8:30 do dia 21/02/2024. Os horários de fechamento por distrito que circulam saem de uma matéria de 09/07/2021 no canal de notícias da própria operadora, e não de norma vigente: ali, Distrito 1 fecha as catracas de entrada às 16:30 e o mercado às 17:30; Distritos 2, 3 e 4 fecham às 17:30; Distrito 5 às 17:00; e o Huangyuan, por ser mercado especializado de roupa, abre 7:30 e fecha 20:30. É dado de cinco anos atrás. Trate como ordem de grandeza e confirme por telefone no balcão do distrito que você vai visitar.

Hoje não, se o passaporte for comum e a viagem couber em 30 dias. A China mantém isenção unilateral de visto para brasileiros com passaporte comum, para negócios, turismo, visita a familiares e amigos, intercâmbio e trânsito, com permanência de até 30 dias — política prorrogada até as 24h (hora de Pequim) de 31 de dezembro de 2026, conforme aviso da Embaixada da República Popular da China no Brasil. Duas condições costumam ser esquecidas: o passaporte tem que ser comum e válido por pelo menos a duração pretendida da estadia (documento de viagem, provisório ou de emergência não serve), e a isenção não cobre trabalho, estudo nem atividade jornalística. Comprar mercadoria a negócio está expressamente dentro da isenção. Como a política tem data-limite declarada, reconfira no site da Embaixada antes de comprar passagem para 2027.

Não conseguimos confirmar isso em fonte oficial, nem num sentido nem no outro, e declaramos como lacuna. Varremos as páginas da operadora na Chinagoods, o Yiwugo em chinês e inglês, o portal do governo municipal e o portal de comércio exterior de Yiwu, procurando por regras de entrada, agendamento ou credenciamento de visitante — nenhuma página publica exigência de cartão, ingresso ou cadastro para simplesmente visitar e comprar. O único cadastro oficial que existe, o 备案 de comprador estrangeiro na Secretaria de Comércio de Yiwu, serve para exportar e liquidar câmbio pelo regime de compra em mercado, não para entrar no prédio. Indícios em sentido contrário também não apareceram: o complexo é atrativo turístico classificado 4A pelo próprio município.

O mercado é atacadista por definição, mas há lojas que fazem varejo, e elas sinalizam. Numa reportagem publicada em 20/06/2025 no site do Ministério da Cultura e Turismo da China, o repórter registra que só no 4º andar do Distrito 1 dezenas de lojas exibem a placa 可批发和零售 — atacado e varejo. O mesmo texto trata o fenômeno como turismo de compra e o atribui, em parte, à isenção de trânsito de 240 horas e à devolução de imposto na saída do país. Ou seja: quantidade mínima é conversa de balcão, box a box, e a placa é o sinal visível. Não existe regra publicada de pedido mínimo válida para o mercado inteiro.

O próprio mercado opera linhas de ônibus. Segundo a aba de orientação de transporte das páginas de distrito na Chinagoods, a Linha Especial 5 liga o aeroporto de Yiwu ao Nanfanglian, das 7:00 às 17:00 nos dois sentidos; a Linha Especial 3 liga a estação ferroviária ao Nanfanglian, também das 7:00 às 17:00 nos dois sentidos; e a Linha Especial 2 liga o terminal rodoviário do International Trade City ao mercado de bens de produção, das 7:40 às 17:00. A página não declara tarifa nem intervalo entre partidas. Fora desse horário, o caminho é táxi ou aplicativo — e vale lembrar que a estação ferroviária de Yiwu está em obra de reconstrução desde janeiro de 2025, com recomendação da própria estação de chegar 1 a 2 horas antes do embarque.

Fecha, e por cerca de duas semanas. O padrão está provado no aviso oficial do feriado de 2024, publicado pelo governo municipal de Yiwu com origem declarada na Zhejiang China Commodity City Group: os Distritos 1 a 5 e o mercado de bens de produção fecharam na tarde de 05/02/2024; o 1º andar do Distrito 5, de importados, e o Huangyuan fecharam na tarde de 07/02/2024; e todos reabriram às 8:30 do dia 21/02/2024. O calendário muda todo ano, porque o Ano Novo Chinês é móvel, e a operadora publica um aviso equivalente a cada edição. Não apuramos as datas de 2027 — quem planeja viagem para janeiro ou fevereiro precisa procurar o aviso do ano.

Dá, mas a conta de dias merece atenção. Pelo calendário da 140ª edição publicado pela Embaixada da China no Brasil em 24/07/2026, a feira tem 1ª fase de 15 a 19/10/2026, 2ª de 23 a 27/10 e 3ª de 31/10 a 04/11 — o bloco de moda fica na 3ª fase. Uma fase isolada mais alguns dias em Yiwu cabe folgado nos 30 dias da isenção de visto. Já quem quiser ficar da 1ª à 3ª fase soma 21 dias só de feira; com deslocamento, Yiwu e margem, a viagem encosta no limite, e aí o visto de negócios, categoria M, volta a fazer sentido. Registramos que a fonte primária de datas da feira é o site do próprio evento, que não abrimos nesta apuração — aqui é a Embaixada reproduzindo o calendário.

Jeff Bruno

Jeff Bruno

Editor responsável do Atacado Modas. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, passou anos comprando no Paraguai para revender e hoje lida com importação da China na operação onde trabalha. Aqui escreve o que dá para provar: toda ficha sai com data e fonte. Curitiba/PR.

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