Tamanho de roupa da China x Brasil: como converter antes de fechar
A grade chinesa não é P, M e G com outro nome: ela é escrita em centímetros do corpo, com um código de biótipo no fim. Este guia mostra como ler o 160/84A da etiqueta, por que nenhum órgão publica uma tabela de equivalência com a régua brasileira e qual é a medida que realmente decide se a peça serve — que não é a que o vendedor costuma mandar.
Neste artigo
- O que significa 160/84A na etiqueta chinesa
- Y, A, B e C: a mesma letra não é o mesmo corpo
- Por que nenhum órgão publica a tabela de conversão
- A norma mede o corpo; a tabela do vendedor mede a peça
- O que pedir ao fornecedor antes de fechar o pedido
- Quando a caixa chega: conferir a peça e a etiqueta
- Como montar a sua própria régua, em vez de procurar tabela
- Perguntas frequentes
A caixa chega, você abre, e a blusa que o anúncio chamava de M veste como um P apertado. Não é necessariamente golpe do fornecedor nem erro de costura: a China não etiqueta roupa com a mesma régua que o Brasil, e a tabela que veio junto do pedido quase sempre mede outra coisa.
Não existe tabela oficial de conversão de tamanho entre China e Brasil — nem o organismo internacional, nem a ABNT, nem o Inmetro, nem a normalização chinesa publicam uma. E você não precisa dela: a etiqueta chinesa padronizada já vem em centímetros do corpo. O que decide se a peça serve é outra medida, a da peça acabada, e essa se pede ao fornecedor antes de pagar.
Este guia trata da conversão em si: como ler o rótulo chinês, por que a tabela do vendedor não substitui a norma e o que exigir antes de fechar o pedido. O que P, M e G significam do lado brasileiro — e por que mudam de fábrica para fábrica — é assunto do guia irmão sobre a tabela de medidas da ABNT; aqui a régua brasileira entra só como ponto de chegada.
O que significa 160/84A na etiqueta chinesa
A China tem norma nacional de tamanho de roupa: a série GB/T 1335, cujo título traduzido é "sistema de designação de tamanho de vestuário". Ela tem três partes — masculina, feminina e infantil. As duas primeiras foram publicadas em 31/12/2008 e estão em vigor desde 01/08/2009; a infantil é de 2009 e substituiu a edição de 1997, revogada em 01/01/2010. Na ficha oficial da plataforma de normas do órgão regulador chinês, as três aparecem como norma nacional recomendada e vigente, e a revisão periódica de 30/05/2025 concluiu que continuam válidas (ficha oficial, acesso em 24/08/2026).
O código da etiqueta é definido no capítulo de termos da própria norma. São três elementos:
| No código 160/84A | Termo da norma | O que mede |
|---|---|---|
| 160 | altura | altura do corpo, em centímetros |
| 84 | circunferência | busto, na peça de cima; cintura, na peça de baixo |
| A | biótipo | faixa de diferença entre busto e cintura |
A notação está no item 4.5: altura e circunferência são separadas por barra, e o código de biótipo vem logo depois. A norma dá os próprios exemplos — peça de cima 160/84A, peça de baixo 160/68A — e determina, no item 4.5.1, que a peça de cima e a de baixo sejam marcadas separadamente. Por isso a mesma pessoa aparece com dois códigos diferentes num conjunto: o 84 da blusa é busto, o 68 da calça é cintura (texto integral da parte feminina, acesso em 24/08/2026).
Repare no que isso resolve. Um rótulo assim não pede tradução: ele já entrega a medida do corpo em centímetros, que é exatamente o dado que uma tabela de conversão tentaria adivinhar. Quando o fornecedor manda a foto da etiqueta, você tem informação melhor do que qualquer equivalência de P, M e G — desde que a peça esteja de fato marcada pela norma, o que nem sempre acontece em produção fora de padrão.
Y, A, B e C: a mesma letra não é o mesmo corpo
O código de biótipo é a parte que mais engana. Ele não indica "magro" ou "gordo" de forma solta: é a diferença, em centímetros, entre a circunferência do busto e a da cintura, e as faixas foram definidas separadamente para a grade masculina e a feminina. As duas normas usam as mesmas quatro letras para faixas diferentes.
| Código | Diferença busto-cintura, grade feminina | Diferença busto-cintura, grade masculina |
|---|---|---|
| Y | 19 a 24 cm | 17 a 22 cm |
| A | 14 a 18 cm | 12 a 16 cm |
| B | 9 a 13 cm | 7 a 11 cm |
| C | 4 a 8 cm | 2 a 6 cm |
Os números estão no item 3.3 de cada parte, lidos no texto integral oficial em 24/08/2026 (parte masculina). O efeito prático aparece na hora de montar grade: um pedido misto de peça masculina e feminina em que se pediu "tudo A" não está pedindo o mesmo corpo dos dois lados. E, dentro da mesma grade, trocar o biótipo sem trocar a altura muda a modelagem inteira, não o comprimento.
Vale também saber o que a norma chinesa não é. O "T" da sigla GB/T marca norma recomendada, de adesão voluntária, e não regulamento obrigatório — o mesmo desenho jurídico que a norma brasileira de vestibilidade tem aqui. Fábrica que produz fora do padrão não está cometendo infração por causa disso; está apenas usando régua própria, e é por isso que a conferência não pode parar no código da etiqueta.
Por que nenhum órgão publica a tabela de conversão
Esta é a lacuna central do assunto, e ela foi apurada, não presumida. Em 24/08/2026 procuramos equivalência oficial entre sistemas de tamanho em quatro acervos: no catálogo do comitê internacional que responde por designação de tamanho de roupa, no catálogo da ABNT — que também revende as normas internacionais —, no texto integral das partes masculina e feminina da norma chinesa e no regulamento brasileiro de etiquetagem têxtil, lido inteiro, junto com as perguntas frequentes do Inmetro sobre indicação de tamanho. Nenhum dos quatro traz tabela de conversão entre países.
A busca no catálogo da ABNT também mostrou que a norma internacional de designação de tamanho não foi adotada como norma brasileira: ela é vendida aqui com a marca ISO, não como NBR (catálogo da ABNT, busca por "8559", acesso em 24/08/2026). Ou seja, não há nem sequer uma ponte formal entre a régua internacional e a nacional para servir de base a uma equivalência.
Existe material de conversão hospedado em portal de governo — inclusive do lado chinês — que mistura o sistema da norma vigente com códigos de biótipo que não existem nela, apresentando valores fixos onde a norma trabalha com faixas. Domínio oficial não valida conteúdo desatualizado. A régua é a norma em vigor, e ela está publicada.
Fica então uma diferença de acesso que muda o trabalho de quem compra. O texto integral das normas chinesas de tamanho é público e gratuito no sistema oficial de divulgação — foi assim que os itens citados aqui foram lidos. As três normas brasileiras equivalentes são pagas, com pré-visualização restrita a associados. Quem compra da China consegue conferir a régua na fonte; quem quer conferir a régua nacional, não, e é por isso que este guia não publica tabela nenhuma atribuída à ABNT.
A norma mede o corpo; a tabela do vendedor mede a peça
Aqui está o ponto que faz a conversão falhar mesmo quando os números estão certos. O sistema de tamanho é construído sobre medida do corpo, não sobre medida da peça. A norma chinesa é explícita: os valores das tabelas são medida do corpo nu e servem de base para o fabricante desenhar a especificação da peça (item 4.3). A norma brasileira de vestibilidade infantil traz a mesma advertência no resumo público da ficha do catálogo: o sistema de indicação de tamanhos é baseado nas medidas do corpo, e não nas medidas das peças.
A norma internacional diz o mesmo e explica o porquê. No resumo público da edição de 2017 da parte 2 da ISO 8559, lê-se que o sistema de designação de tamanho é baseado em medidas do corpo, não da peça, e que a escolha das medidas da peça é normalmente determinada pelo estilista e pelos fabricantes, que aplicam as folgas apropriadas conforme o tipo e a posição de uso, o estilo, o corte e a moda. Duas ressalvas de vigência, porque elas importam: essa redação é da edição de 2017, e essa edição foi substituída pela edição de 2025, publicada em 18/09/2025 — que é paga e não foi lida, então não se afirma aqui o que ela mantém ou muda.
Traduzindo para a bancada: a folga é decisão de projeto. Duas fábricas podem partir do mesmo corpo de 84 cm de busto e entregar peças com 8 e com 16 centímetros de sobra, e nenhuma das duas está errada. É por isso que medir a peça é outro assunto, coberto por norma separada — a ISO 18890:2018, de método de medição de vestuário, publicada em 09/04/2018 e em vigor. Duas normas distintas, uma para o corpo e outra para a peça, é a prova de que são coisas diferentes.
O que pedir ao fornecedor antes de fechar o pedido
Se não existe conversão oficial, o caminho é substituir a tabela por informação específica daquele modelo. Antes de fechar, peça:
- A tabela de medidas da peça acabada, tamanho por tamanho, e não uma tabela de corpo nem uma equivalência de P, M e G.
- O ponto de medição de cada linha da tabela: onde começa e onde termina o "busto", se o comprimento é medido do ombro ou da gola, se a cintura é a costura ou a linha mais estreita.
- A tolerância aceita por medida. Sem ela, a tabela não tem como ser cobrada depois.
- Foto da etiqueta interna de uma peça real da produção, não da foto do catálogo.
- Quando o volume justificar, uma amostra antes da grade cheia — é o mesmo raciocínio de pedido mínimo, grade e sortido aplicado à medida.
Essas cinco linhas guardadas na conversa são o que sustenta uma reclamação por peça fora do combinado, assunto do guia sobre fornecedor que não entregou o que foi contratado. Combine também quem confere a produção antes do embarque; a figura que faz isso do outro lado está descrita no guia de agente de compras na China, e os sinais que a plataforma dá — e os que ela declara não garantir — estão em como conferir o fornecedor antes de pagar. Se você ainda está decidindo por qual caminho comprar, a comparação está em qual plataforma serve para cada caso e no guia da feira física de vestuário e acessório.
Quando a caixa chega: conferir a peça e a etiqueta
Chegando a mercadoria, meça antes de anunciar. Três peças por tamanho já mostram se a produção respeitou a tabela combinada, e a divergência que aparecer é informação de venda, não motivo de pânico: anunciar a medida real é obrigação de quem oferta. O Código de Defesa do Consumidor exige, no art. 31, que a oferta assegure informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre características e quantidade, entre outros dados (texto compilado, acesso em 24/08/2026).
Há ainda a etiqueta. O regulamento técnico de etiquetagem têxtil brasileiro alcança produto "de procedência nacional ou estrangeira", lista entre as informações obrigatórias a "indicação de tamanho ou dimensão, conforme o caso" e determina que o idioma seja o do país de consumo. O importador figura expressamente na cadeia de responsabilidade (Portaria Inmetro nº 118/2021, acesso em 24/08/2026).
Repare no que o regulamento não faz: ele não define o que é P, M ou G, não manda seguir norma alguma de tamanho e não fixa tabela. No mesmo anexo, para o símbolo de conservação, ele nomeia expressamente a norma a seguir — onde o regulador quis padronizar, ele nomeou. A orientação oficial confirma: a forma de indicar o tamanho deve ser adequada ao tipo de produto, sem menção a norma da ABNT nem a tabela (perguntas frequentes do Inmetro, página atualizada em 08/04/2026). É a diferença que o próprio Inmetro publica entre norma e regulamento técnico: a observância da primeira não é obrigatória; a do segundo, é.
lei, decreto, portaria, órgão público e estatística oficial
site, FAQ e material de quem administra o lugar — é declaração do interessado
Como montar a sua própria régua, em vez de procurar tabela
O que resolve na prática não é uma tabela de conversão universal, é uma ficha sua. Meça as peças que chegaram, registre por modelo e tamanho as três ou quatro medidas que a sua clientela realmente reclama — busto ou tórax, cintura, quadril e comprimento — e compare com peças que você já sabe que vendem bem. Em pouco tempo você tem a correspondência entre a grade daquele fornecedor e o que o seu público veste, que é a única conversão que interessa: a sua.
Duas cautelas fecham o método. A primeira é tratar cada fornecedor como grade própria: a ficha de um não vale para o outro, porque a folga é decisão de projeto de cada fábrica. A segunda é começar pequeno na primeira compra e só repetir a grade cheia depois de medir, para não transformar um erro de modelagem em estoque que não gira.
Vale lembrar que o problema não é exclusivo da importação. Segmentos em que a modelagem manda mais que a etiqueta já são tratados no site — é o caso de plus size, de roupa infantil e de moda fitness. Do lado da venda, saber o que a lei obriga e o que é política sua está em loja é obrigada a trocar roupa. E, se a comparação for entre trazer da China ou comprar aqui dentro já com a régua nacional, a conta completa está em Brás ou importar da China e a parte de documento e regime, em importar com CNPJ, CPF ou MEI.
Transparência: alguns links deste site podem ser de parceria — comprando por eles, o site pode receber comissão, sem custo extra pra você. A apuração não muda: ficha com data e fonte, com ou sem parceria.
Perguntas frequentes
Não. Em 24/08/2026 varremos o catálogo do comitê internacional que cuida de tamanho de roupa, o catálogo da ABNT, o texto integral da norma chinesa de tamanho e o regulamento de etiquetagem têxtil brasileiro com as perguntas frequentes do Inmetro: nenhum deles publica equivalência entre sistemas de países. As tabelas de conversão que circulam são construção de mercado, sem lastro normativo, e algumas reproduzem códigos de biótipo que não existem na norma chinesa em vigor.
Pela norma chinesa de tamanho, 160 é a altura do corpo em centímetros, 84 é a circunferência do busto em centímetros e A é o código de biótipo, definido pela diferença entre busto e cintura. Em peça de baixo o segundo número é a cintura, e por isso a mesma pessoa aparece como 160/84A na blusa e 160/68A na calça. A norma manda marcar a peça de cima e a de baixo separadamente.
Não, e essa é a confusão mais cara da grade. Na norma feminina, A significa diferença de 14 a 18 centímetros entre busto e cintura; na masculina, de 12 a 16 centímetros. As quatro faixas mudam: no feminino Y vai de 19 a 24, B de 9 a 13 e C de 4 a 8; no masculino Y vai de 17 a 22, B de 7 a 11 e C de 2 a 6. Comparar letra com letra entre as duas grades leva a erro de compra.
Serve para outra coisa. O sistema de tamanho, tanto na norma chinesa quanto na brasileira e na internacional, é baseado na medida do corpo; a medida da peça acabada é assunto de uma norma separada. A folga entre uma e outra é escolha de quem desenha a peça. Por isso a tabela do vendedor só ajuda quando ela é de peça acabada, com o ponto de medição descrito e a tolerância declarada — e não uma equivalência genérica de P, M e G.
O regulamento técnico de etiquetagem têxtil alcança produto de procedência nacional ou estrangeira, lista a indicação de tamanho ou dimensão entre as informações obrigatórias e determina que o idioma seja o do país de consumo. O importador aparece expressamente na cadeia de responsabilidade. O regulamento não define o que é P, M ou G, mas exige que a informação exista e esteja legível na peça.
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